Milei oficializa retirada da Argentina da OMS
Decisão foi confirmada durante visita a Buenos Aires do secretário de Saúde dos EUA, Kennedy Jr.
O governo da Argentina, liderado pelo presidente Javier Milei, oficializou a decisão de deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS). A confirmação foi feita nesta segunda-feira, 26, durante a visita a Buenos Aires do secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy.
A carta de renúncia, enviada à OMS em 25 de fevereiro e assinada pelo chanceler Gerardo Werthein, foi tornada pública pela entidade na semana passada.
Como o tratado constitutivo da OMS não prevê mecanismos de saída, caberá à Assembleia Mundial da Saúde, em sessão em Genebra, decidir se aceita ou não o pedido argentino.
Em comunicado, o governo de Javier Milei justificou a medida alegando que “as receitas da OMS não funcionam, porque não estão baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que se recusam a revisar seus próprios erros”.
A decisão foi inicialmente anunciada em fevereiro e é vista como parte da ofensiva do presidente argentino contra organismos multilaterais ligados à ONU, como a Agenda 2030, que Milei e seus aliados chamam de “plano de dominação supranacional”.
Durante a pandemia de Covid, Milei chegou a classificar a atuação da OMS como “nefasta” e criticou o que chamou de “quarentena cavernícola”.
Encontro com Kennedy Jr.
Durante a visita de Kennedy Jr., o ministro da Saúde argentino, Mario Lugones, afirmou que Argentina e Estados Unidos compartilham uma visão comum sobre o futuro da saúde global. Segundo comunicado do governo Milei, o encontro teve como foco o fortalecimento da transparência, da segurança alimentar e da eficiência nos gastos públicos em saúde.
“Junto com Robert Kennedy, acreditamos no futuro da colaboração em saúde global. Temos visões semelhantes sobre o caminho a seguir”, disse Lugones.
Na semana passada, em um vídeo transmitido durante a assembleia anual da ONU, Kennedy pediu que outros países também deixem a OMS e formem instituições alternativas. Ele acusou a agência de estar “moribunda” e sob influência da China, da indústria farmacêutica e da chamada ideologia de gênero.
O governo argentino também anunciou uma “revisão estrutural” dos organismos nacionais de saúde com o objetivo de modernizar normas, eliminar sobreposições e dar mais transparência aos processos.
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