Milei elogia protecionismo de Trump e sugere aliança de direita
Em discurso na CPAC, Milei afirmou que a Argentina será o primeiro país a aderir à política de tarifas recíprocas proposta por Trump
O presidente argentino Javier Milei (foto) afirmou neste sábado, 22, que a Argentina será o primeiro país a aderir à política de tarifas recíprocas proposta por Donald Trump. A declaração foi feita durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC).
“A Argentina quer ser o primeiro país do mundo a aderir a esse acordo de reciprocidade que a administração Trump propõe em matéria comercial”, disse.
Trump planeja impor, a partir de 2 de abril, tarifas alfandegárias equivalentes às aplicadas aos produtos americanos, incluindo países em desenvolvimento como a Argentina. Os EUA também taxarão em 25% as importações de aço e alumínio.
Milei, apesar de defensor do liberalismo, elogiou a medida protecionista de Trump, mas também manifestou interesse em um acordo de livre comércio com os EUA. Ele atribuiu ao Mercosul o principal obstáculo para o acordo.
“Se não estivéssemos restritos pelo Mercosul, a Argentina já estaria trabalhando em um acordo de livre comércio com os Estados Unidos que seja mutuamente benéfico.”
Milei também comparou a si próprio a Trump:
“Dizem que Trump e eu somos um perigo para a democracia, mas na realidade estão dizendo que somos um perigo para eles. Somos um perigo para o partido do Estado. Eles têm razão, somos seu pior pesadelo.”
Em outro momento do discurso, sugeriu a criação de “uma internacional de direita” para enfrentar “a casta política”.
O presidente argentino, como mostramos, lançou suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral brasileiro. A teoria sem embasamento propagada por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) defende que organizações americanas teriam financiado fraudes eleitorais no Brasil.
“As múltiplas ONGs, que vivem dos nossos impostos, dos subsídios à cultura para produzir propaganda e aqui nos Estados Unidos, o escândalo da Usaid, que destinava milhões de dólares dos pagadores de impostos para financiar revistas e canais de televisão, fraudes eleitorais como no Brasil ou governos com aspirações discriminatórias como o da África do Sul.”
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