Milei: “Eliminamos o controle cambial para sempre”
Em pronunciamento em rede nacional, presidente da Argentina celebra acordo com FMI que libera US$ 20 bilhões e põe fim ao controle cambial
O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um pronunciamento em rede nacional para celebrar o novo acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê um desembolso imediato de US$ 20 bilhões para recapitalizar o Banco Central argentino e permitir o fim do controle cambial. A medida é uma das principais promessas do governo de Milei para reestruturar a economia do país.
“Quebramos o último elo da corrente que nos mantinha presos. Eliminamos o controle cambial para sempre”, afirmou o presidente ao lado de ministros, em discurso televisionado na noite de sexta-feira, 11.
Segundo Milei, o novo programa, que envolve recursos de instituições como o FMI, Banco Mundial e BID, totaliza US$ 32 bilhões, com US$ 19,6 bilhões liberados imediatamente. Em maio, as reservas brutas do Banco Central devem atingir cerca de US$ 50 bilhões, permitindo maior segurança monetária.
Milei destacou que o fim do controle cambial é parte de um esforço mais amplo para equilibrar as contas fiscais, cambiais e monetárias do país, e considerou o novo acordo um marco histórico.
“Este é o início de uma era dourada para a Argentina”, disse o presidente, agradecendo a aliados políticos e destacando a colaboração de 87 deputados que ajudaram a garantir o superávit fiscal.
Previsão de crescimento
Mesmo com a inflação em alta, atingindo 3,7% em março, Milei prometeu combater a incerteza econômica.
“Vamos restaurar o patrimônio do Banco Central e acabar com a inflação. A Argentina tem agora suas contas em ordem. Não há razão para turbulências internas ou externas”, afirmou.
Milei disse ainda que, ao contrário das administrações anteriores, seu governo busca atrair investimentos, eliminar impostos e criar um ambiente propício para o crescimento econômico sustentado.
“Seremos o país com maior crescimento nos próximos 30 anos. Não será da noite para o dia. Fizemos a lição de casa para mitigar qualquer volatilidade. A inflação vai colapsar inevitavelmente, apesar dos que tentam frear a mudança”, afirmou, acrescentando que, com um ajuste fiscal e reformas estruturais, o crescimento pode chegar a 4,5% ao ano.
Acordo com o FMI
Além de anunciar o fim do controle cambial, Milei informou que o governo argentino flexibilizou as regras para a compra de dólares, uma das condições exigidas pelo FMI.
A partir de segunda-feira, os argentinos poderão adquirir dólares no mercado oficial sem limites de quantidade. A medida põe fim à política de “cepo cambiario”, que restringia a compra de divisas e foi instaurada no final do governo de Mauricio Macri e aprofundada nas gestões de Alberto Fernández e Cristina Kirchner.
Embora as restrições para pessoas físicas sejam removidas, o governo afirmou que as empresas ainda terão limitações, e a flexibilização será feita de forma gradual para evitar desestabilizações. Além disso, a taxa de 30% sobre o dólar turismo continuará válida, enquanto a cobrança de impostos será eliminada para operações cambiais do mercado oficial.
A medida foi anunciada logo após a aprovação do programa de socorro financeiro do FMI, que prevê o desembolso de US$ 12 bilhões de forma imediata, com revisões periódicas que poderão liberar mais recursos.
O acordo também estabelece a manutenção de um controle fiscal rigoroso e reformas estruturais para impulsionar o crescimento e facilitar o retorno da Argentina aos mercados internacionais de capitais.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
12.04.2025 14:47Desejo muito sucesso a “los hermanos” na recuperação econômica de seu país. E fico aqui com um inveja do bem.