Milei anuncia corte permanente nos impostos de exportação do agro
Segundo presidente da Argentina, medida só foi possível graças ao superávit fiscal, que diz proteger 'como água no deserto'
O presidente da Argentina, Javier Milei (foto), anunciou neste sábado, 26, uma redução permanente nos impostos de exportação sobre produtos do agronegócio, como soja, milho, girassol, carne bovina, aves e seus derivados. A medida, segundo o governo, tem como objetivo “impulsionar o campo” e responde a uma antiga demanda do setor agropecuário argentino.
Durante discurso na abertura da tradicional Exposição Rural da Argentina, em Buenos Aires, Milei defendeu a redução das chamadas retenções como parte de seu compromisso com o equilíbrio fiscal.
“Essas reduções são permanentes e não serão revertidas enquanto eu estiver no governo”, afirmou. Segundo ele, a desoneração foi possível devido ao “superávit fiscal que alcançamos, que protegemos como água no deserto diante dos ataques sistemáticos da classe política”.
“A redução dos impostos não beneficiará apenas o campo, mas toda a economia”, disse Milei, acrescentando que seu governo tem como obsessão “eliminar os impostos retidos na fonte”.
Segundo estimativas oficiais, o custo fiscal da medida será de US$ 700 milhões. Ainda assim, Milei afirma que o impacto será compensado por ganhos de produtividade e pelo impulso à economia rural.
“Buscamos impulsionar o campo, que foi severamente punido por esses impostos nos últimos 20 anos”, afirmou.
O que muda?
As alíquotas de exportação de aves e carne bovina caem de 6,75% para 5%; a do milho passa de 12% para 9,5%; e a do sorgo, de 12,9% para 9,5%.
No caso do girassol, o imposto cairá em duas etapas: de 7,5% para 5,5%, e posteriormente para 4%. A soja — o produto mais tributado do país — terá a taxa reduzida de 33% para 26%, e seus subprodutos, de 31% para 24,5%.
A Argentina é uma das maiores potências agrícolas do mundo, com destaque para a produção de soja, milho, trigo e girassol. A pecuária também tem peso histórico na balança comercial do país, com exportações de carne, mel e lã.
Agro comemora
As entidades do setor agropecuário receberam o anúncio com entusiasmo, especialmente por se tratar de uma medida de caráter permanente.
Para o presidente da Acsoja (Associação da Cadeia da Soja), Rodolfo Rossi, a redução das alíquotas pode mudar o cenário de rentabilidade da próxima safra.
“Entram mais regiões com possibilidade de rentabilidade. Com base nos rendimentos prováveis, daria lucro ou pelo menos equilíbrio”, disse ao jornal argentino Clarín.
“Todo o norte do país e o sul da província de Buenos Aires”, acrescentou.
De acordo com relatório recente da AACREA, uma entidade técnica de referência no setor, em 80% da área de soja da Argentina o cultivo não era rentável com os preços atuais e a alíquota anterior de 33%. A perspectiva era de uma redução de 2 milhões de hectares na próxima safra, que começa em outubro.
Reforma econômica
A medida integra o pacote de reformas econômicas promovido por Milei desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, com foco na contenção de gastos e na estabilidade macroeconômica.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a inflação argentina cairá para 35,9% neste ano — uma forte desaceleração frente aos índices do ano anterior.
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Comentários (4)
Marcia Elizabeth Brunetti
27.07.2025 12:00Milei com um povo alfabetizado, educado pode sair da fria que entrou com os governinhos de populistas. Quando isso acontecer no Brasil sairemos do buraco. O problema é que aqui a maioria da população continua sendo analfabeto funcional. Isso é pior do que analfabeto, pois encontramos artistas e intelectuais fazendo a cabeça dos estudantes que, por sua vez, darão continuidade nessa política falida por muitas gerações.
Marian
27.07.2025 09:52A Argentina segue dando aula de como fazer um país se libertar e se preparar para decolar. Parabéns aos Hermanos que souberam escolher o seu destino.
Ivan Kolouboff
27.07.2025 08:59Acho que o título correto deveria ser. Milei anuncia redução permanente... Alguns podem pensar que ele zerou.
Clayton De Souza pontes
27.07.2025 07:42Com essa redução , o agro argentino fica mais competitivo e teremos que trabalhar alinhados pra não perdermos mercado. As taxas nacionais deveriam baixar