Megarrelâmpago de 829 km, o fenômeno que atravessou os EUA
O fenômeno ocorreu durante um complexo de tempestades intensas do leste do Texas até áreas próximas a Kansas City
O registro de um raio gigante, conhecido como megaflash, em 2017 sobre a região central dos Estados Unidos chamou a atenção de meteorologistas e órgãos de segurança em todo o mundo.
O fenômeno ocorreu durante um complexo de tempestades intensas do leste do Texas até áreas próximas a Kansas City, cobrindo uma distância comparável ao trajeto entre Paris e Veneza e reforçando a necessidade de monitoramento constante e alertas antecipados.
O que é um megaflash de raio e como ele se forma
O megaflash é uma descarga elétrica de longa distância e longa duração que se espalha horizontalmente por centenas de quilômetros dentro de grandes sistemas de tempestade.
Diferentemente de um raio comum, ele ocorre em vastos Sistemas Convectivos de Mesoescala (MCS), típicos das Grandes Planícies norte-americanas, consideradas um “ponto quente” para esse fenômeno.
No caso de 2017, a descarga atravessou parte significativa do centro dos Estados Unidos, acompanhando a estrutura da tempestade.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) utilizou uma metodologia padronizada, baseada na maior distância em círculo máximo, para determinar sua extensão e confirmar o caráter extremo do evento.

Por que o recorde de megaflash reconhecido pela OMM é importante
A OMM reconheceu oficialmente esse megaflash após análises com tecnologia de satélite de última geração, registrando um raio de cerca de 829 quilômetros, com pequena margem de erro.
O evento superou o recorde anterior e foi documentado em publicação da Sociedade Americana de Meteorologia, evidenciando o interesse científico em descargas atmosféricas extremas.
Quais riscos um megaflash de raio representa para a sociedade
O megaflash tem implicações diretas para segurança pública e gestão de desastres, pois pode atingir áreas muito distantes do núcleo mais ativo da tempestade, o chamado “raio vindo do cinza”.
Essa característica amplia o raio de atenção necessário em situações de mau tempo e afeta diferentes setores sensíveis da sociedade.
Entre os principais riscos associados a esse tipo de descarga atmosférica extrema destacam-se:
- Impacto direto em pessoas, com possibilidade de múltiplas vítimas em um único evento.
- Incêndios florestais e urbanos, ao atingir vegetação seca ou instalações industriais sensíveis.
- Interferências na aviação, com potencial de afetar rotas que cruzam nuvens eletrificadas.
- Danos em infraestrutura, como redes elétricas e sistemas de telecomunicações.
Como a tecnologia de satélite identifica megaflashes de raio
A detecção do megaflash de 2017 só foi possível graças a instrumentos em satélites geoestacionários, como o Geostationary Lightning Mapper (GLM).
Antes, redes de sensores em solo tinham alcance limitado para registrar descargas tão extensas, o que fazia muitos eventos passarem despercebidos.
Hoje, sistemas como os satélites GOES (R-series), o Lightning Imager dos Meteosat de terceira geração e os imagers da série FY-4 permitem mapear descargas, medir sua extensão e duração e estudar a distribuição de carga nas nuvens.
Quais são as principais recomendações de segurança em áreas com megaflash
As regras gerais de segurança para tempestades elétricas continuam válidas, mas a existência de megaflashes amplia a área de cautela.
A orientação é buscar abrigo assim que a atividade elétrica estiver a cerca de 10 quilômetros, considerando medições confiáveis ou a aproximação visível da tempestade.
Recomenda-se permanecer em edificações robustas com instalações adequadas ou, em segunda opção, em veículos fechados com teto metálico, mantendo portas e janelas fechadas.
Também é essencial afastar-se de campos abertos, praias, áreas elevadas e objetos metálicos expostos, reduzindo o risco de impacto direto ou indireto das descargas.
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