Maristela Basso na Crusoé: A guerra que não termina
Seguimos incapazes de controlar o essencial: nós mesmos
Se Albert Einstein e Sigmund Freud se encontrassem hoje, não teriam muito a celebrar.
Em 1932, às vésperas da catástrofe europeia, eles trocaram cartas tentando responder a uma pergunta que continua nos assombrando: por que a guerra?
Quase um século depois, a resposta permanece — e talvez seja ainda mais inquietante. Porque o mundo mudou. Mas o homem, não.
A ciência avançou a um ponto que Einstein dificilmente poderia imaginar. Inteligência artificial, armas autônomas, vigilância algorítmica, poder destrutivo em escala planetária.
Nunca tivemos tanto controle sobre o mundo exterior.
E, no entanto, seguimos incapazes de controlar o essencial: nós mesmos.
A promessa iluminista — de que mais razão produziria mais paz — não se confirmou.
Ao contrário, a racionalidade técnica passou a conviver com formas cada vez mais sofisticadas de violência.
A guerra não desapareceu. Ela se transformou.
Hoje, ela não está apenas nos campos de batalha. Ela está nas cidades fragmentadas.
Nos discursos públicos degradados.
Na paixão pela mentira.
Na violência difusa que atravessa relações sociais, políticas e até íntimas.
Freud talvez dissesse, sem surpresa, que nada disso é novo.
A civilização, para ele, nunca eliminou a violência — apenas a reprimiu. E aquilo que é reprimido não desaparece: retorna. Às vezes deslocado, às vezes ampliado, quase sempre mais difícil de conter.
O que mudou foi o meio.
Se antes a agressividade encontrava vazão em conflitos armados entre Estados, hoje ela circula também em redes digitais, em massas anônimas, em dinâmicas de exposição e destruição simbólica.
A violência tornou-se mais difusa, mais cotidiana — e…
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