María Corina pede boicote à eleição em Essequibo: “Farsa”
Opositores acusam o ditador Maduro de realizar eleições em região controlada pela Guiana para esconder a ilegitimidade do regime
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado (foto, à esquerda), fez um pedido aos venezuelanos para não comparecerem às eleições marcadas para o domingo, 25, que definirá o governador e oito deputados de Essequibo — uma área de 160 mil km² rica em petróleo e reivindicada pelo regime do ditador Nicolás Maduro.
“O 25 de maio não é uma eleição. É uma farsa. É uma trapaça. Por isso te peço algo muito simples: Este domingo, para sua casa. Não saia. Não os obedeçam. Esvaziem as ruas. Deixem vazias. Que eles fiquem sozinhos. Que fique claro quem tem o poder: tú”, diz a opositora em vídeo publicado no X.
O presidente eleito do país, Edmundo González Urrutia, republicou o conteúdo e destacou que o evento está sendo “organizado pelo regime para esconder sua ilegitimidade”.
“Eles precisam da sua participação para legitimar a mentira deles. Seu poder está em não jogar o jogo deles. Eles são um sistema que não permite escolha. Você é livre para fazer exatamente o oposto do que eles querem forçá-lo a fazer”, escreveu.
É a primeira vez que o país tenta eleger autoridades para o território, que, no entanto, segue sob controle e administração guianesa.
Os centros de votação não estarão em Essequibo, mas no estado de Bolívar, na fronteira, onde vivem os pouco mais de 21,4 mil eleitores incluídos na nova circunscrição.
O território disputado segue sem qualquer estrutura eleitoral ou presença do Estado venezuelano.
A eleição, portanto, tem caráter simbólico e não produzirá efeitos práticos no controle da área.
“É inabalável a nossa vontade de recuperar os direitos históricos, territoriais e para além da Guiana Essequiba”, afirmou o ditador Nicolás Maduro na quarta-feira, 21.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, classificou o processo como “desespero e propaganda”, além de uma “ameaça” à soberania do país.
Eleição sem jurisdição
Apesar de criar formalmente um novo estado, Caracas não terá jurisdição nem autoridade sobre os habitantes da região.
O referendo realizado em dezembro de 2023 — também sem participação dos moradores do Essequibo — abriu caminho para a criação do novo estado.
A medida foi acompanhada de alertas regionais sobre risco de conflito armado.
Corte Internacional de Justiça
A disputa pelo Essequibo remonta ao período colonial.
Em 1899, um laudo arbitral reconheceu a soberania britânica sobre a região.
A Venezuela, porém, não reconhece esse laudo e defende que o Acordo de Genebra, firmado em 1966 antes da independência da Guiana, anula a decisão e prevê uma negociação direta.
A Guiana levou o caso à Corte Internacional de Justiça (CIJ), que ordenou neste mês que a Venezuela suspenda as eleições no território disputado.
Caracas, no entanto, rejeitou a ordem, afirmando que não reconhece a jurisdição da corte.
Em nota, o regime Maduro acusou a Guiana de adotar “medidas abusivas e intervencionistas” ao acionar o tribunal.
A corte, por sua vez, não tem mecanismos próprios para garantir a execução de suas ordens.
Petróleo
A tensão entre os dois países se intensificou a partir de 2015, quando a petroleira americana ExxonMobil descobriu grandes reservas de petróleo no litoral do Essequibo.
A empresa prevê uma produção de 1,3 milhão de barris diários até o fim da década, o que pode tornar a Guiana o maior produtor per capita do mundo, à frente de Catar e Kuwait.
Já a produção venezuelana despencou de mais de 3,5 milhões para cerca de 900 mil barris por dia.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)