Marco Rubio negocia com neto de Raúl Castro nos bastidores
Segundo site Axios, diplomacia americana contorna governo cubano e abre canal direto com figura do círculo familiar de Havana
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, mantém contatos reservados com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-líder cubano Raúl Castro. A informação foi publicada pelo site americano Axios nesta quarta-feira, 18, com base em três fontes anônimas. As conversas ocorrem à margem dos canais oficiais do governo de Washington.
A iniciativa revela a estratégia da administração Trump de tratar Raúl Castro, com 94 anos, como o verdadeiro polo de decisão de Havana – mesmo após seu afastamento formal do poder. Ao abrir esse canal, Washington ignora o ditador Miguel Díaz-Canel, classificado por um funcionário americano como um “burocrata do partido comunista” sem capacidade de negociar mudanças estruturais.
Quem é o interlocutor cubano
Rodríguez Castro, conhecido pelo apelido “El Cangrejo”, atua como escolta pessoal do avô e integra o núcleo mais fechado do regime. Ele também mantém vínculos com dirigentes do GAESA, o conglomerado militar-empresarial que controla parcela expressiva da economia cubana.
Segundo o Axios, as conversas entre Rubio e o neto de Castro foram descritas por uma fonte como “surpreendentemente” amistosas. Um integrante da administração Trump definiu os encontros não como negociações, mas como “discussões sobre o futuro” de Cuba.
Pressão econômica como pano de fundo
Em janeiro de 2025, Washington impôs um bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba. A medida agravou uma crise já severa: apagões frequentes afetam o país inteiro, e a capital, Havana, enfrenta o acúmulo de lixo pelas ruas. Segundo a imprensa local, menos da metade dos 106 caminhões de coleta da cidade conseguiu operar ao longo deste mês.
O presidente Donald Trump declarou abertamente que vê Cuba como uma “nação falida” e pressionou Havana a fechar um acordo. Em fevereiro, afirmou que os Estados Unidos travavam conversas com a ilha “em alto nível”, sem detalhar com quem ou sobre quê. O Departamento de Estado e a embaixada cubana em Washington se recusaram a comentar a reportagem.
Governo cubano minimiza contatos
Em nota enviada ao Axios, o governo de Havana procurou reduzir o alcance das revelações. “Não há diálogo de alto nível entre os governos dos EUA e Cuba. Nem sequer existe diálogo em nível intermediário. Houve trocas de mensagens”, afirmou o comunicado oficial, que caracterizou os contatos como “conversas habituais”.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi mais direta ao comentar a situação da ilha na quarta-feira: “Cuba é um país que está colapsando, e por isso acreditamos que o melhor para eles é fazer mudanças dramáticas muito em breve. Veremos o que decidem”.
O modelo Venezuela
A aproximação com Rodríguez Castro segue o padrão adotado por Washington com Caracas. Antes da extradição de Nicolás Maduro, a administração Trump já mantinha contatos com figuras dentro do regime venezuelano dispostas a viabilizar uma transição. O resultado foi a permanência de Delcy Rodríguez como líder interina.
Analistas apontam que Washington estaria em busca de uma figura equivalente em Cuba – alguém capaz de articular mudanças sem desmantelar por completo o aparato do Estado. A tarefa, porém, é vista como mais complexa do que foi com a Venezuela, dado o grau de centralização do poder em Havana e a profundidade do antagonismo histórico entre o regime cubano e a comunidade exilada na Flórida.
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