Márcio Coimbra na Crusoé: O ano em que Trump transformou risco em moeda de troca
O presidente vê a geopolítica não como um jogo de alianças permanentes, mas como uma série de negociações contínuas
O ano de 2025 consolidou a segunda presidência de Donald Trump como um marco de inflexão na ordem geopolítica global.
A essência de sua liderança manifestou-se na figura do líder transacional, um agente que opera sob a premissa de que toda relação internacional é uma negociação constante, em que a previsibilidade é intencionalmente sacrificada em favor da alavancagem máxima.
Essa abordagem reconfigurou o posicionamento dos Estados Unidos, exigindo dos parceiros e adversários uma adaptação contínua à volatilidade estratégica de Washington.
A política externa e econômica de 2025 foi caracterizada pela utilização intensiva de instrumentos de pressão.
As tarifas, impostas sob a égide do “America First“, não foram meros dispositivos protecionistas, mas peças centrais em um xadrez de barganha.
Aumentos seletivos de taxas alfandegárias contra a China e ameaças de taxação sobre produtos europeus serviram como ferramentas coercivas, forçando parceiros comerciais a reabrir discussões e a aceitar termos mais favoráveis aos interesses americanos.
Essa constante negociação reverteu a tendência de estabilidade multilateral pós-Guerra Fria, projetando os EUA como um ator que reescreve unilateralmente as regras para obter ganhos imediatos e tangíveis.
Magnitsky
O caso do Brasil ilustra de forma aguda essa dinâmica transacional e cautelosa.
A questão mais sensível do relacionamento bilateral em 2025 foi a aplicação da Lei Global Magnitsky de Responsabilidade de Direitos Humanos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida, de natureza restritiva e de grande impacto político-simbólico, serviu inicialmente como uma demonstração de força e uma forma de pressão calculada sobre as instituições brasileiras.
Entretanto, a subsequente retirada da aplicação da Lei Magnitsky foi, por sua vez, um movimento de realpolitik de Trump.
O presidente utilizou a sanção como uma ficha de troca de alto valor. Sua remoção estratégica tornou-se o catalisador para a aproximação direta com o presidente Lula.
Contudo, essa aproximação deve…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)