Márcio Coimbra na Crusoé: A Doutrina Delcy
Delcy compreendeu que a comunidade internacional, exausta de crises migratórias e instabilidade energética, está disposta a aceitar um autoritarismo funcional
Se o Estreito de Ormuz retém hoje o fôlego da geopolítica global, o Palácio de Miraflores exige um olhar muito mais cirúrgico sobre a nova e fria ordem que emerge em Caracas.
Ali, o que testemunhamos transcende a mera sucessão: trata-se de uma metamorfose estrutural profunda.
Com a saída de cena de Nicolá Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez, a Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática.
Delcy não é apenas a sucessora, é a liquidante de um modelo exaurido e a arquiteta de uma normalização autoritária que desafia as leituras convencionais da diplomacia regional.
Perestroika tropical
A demissão de Vladimir Padrino López do Ministério da Defesa, ocorrida em março, é o marco zero desta nova era.
Padrino não era apenas um ministro. Era a ponte entre o chavismo originário e as Forças Armadas.
Sua remoção sinaliza que a “Doutrina Delcy” não admite a bicefalia de poder.
Ao colocar Gustavo González López na Defesa, os irmãos Rodríguez — Delcy e Jorge — consolidam o controle civil-repressivo, substituindo a lealdade ideológica por uma lealdade tecnocrática.
Além disso, destituíram…
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