Manifestantes exigem eleições livres na Venezuela
Sindicalistas e trabalhadores entregam demandas a embaixada americana 100 dias após captura do ex-presidente
Mais de 200 pessoas se reuniram nesta quinta-feira, 16, em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Caracas para exigir a convocação de eleições e melhorias salariais. O ditador Nicolás Maduro foi deposto em operação militar americana em janeiro, e hoje responde nos EUA por acusações de narcotráfico.
“Queremos agradecer ao governo americano por ter nos dado um pouquinho de ar para respirar, mas que terminem o trabalho”, afirmou o sindicalista Víctor Pereira a funcionários da embaixada. Carlos Salazar, coordenador de coalizão sindical, reforçou a urgência: “Precisamos rapidamente de eleições”.
Laura Rada, sindicalista de 70 anos, explicou o direcionamento da mobilização: “Agora mesmo o governo venezuelano está sob a tutela dos americanos. Então, vamos falar com os americanos para que gritem uma ponte com Rodríguez e responda nossas sugestões”.
Os manifestantes, majoritariamente sindicalistas e trabalhadores, dirigem suas reivindicações ao governo americano, percebido como força determinante sobre o comando político interno exercido por Delcy Rodríguez. A estratégia reflete a convicção de que Washington detém influência sobre decisões políticas e comerciais da Venezuela, incluindo a exploração petrolífera.
Demandas econômicas e políticas na pauta
Durante o ato, os participantes apresentaram uma lista de reivindicações que engloba aumento de salários, libertação de presos políticos e realização de eleições com transparência democrática. A oposição venezuelana argumenta que Rodríguez viola o prazo constitucional de 90 dias para convocar novas votações, período que já transcorreu desde a ausência de Maduro.
As manifestações públicas tornaram-se raras na Venezuela após prisões em massa, desencadeadas pela contestada reeleição de Maduro em julho de 2024. A captura do ex-presidente, porém, permitiu a retomada dos protestos com maior intensidade.
Adriana Farnetano, aposentada de 62 anos, expressou ceticismo quanto aos resultados práticos do novo cenário político: “A Venezuela está tutelada pelos Estados Unidos agora. Simples assim. Está o negócio do petróleo e tudo isso, mas isso nós não vemos agora. Nós não vendemos nada do petróleo, nem do ouro, nem de nada”, criticou a falta de melhoras na economia.
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