Mamífero marinho reduzido a cerca de 50 animais no início do século 20 se recupera e população volta a alcançar 3 mil indivíduos
Após escapar da caça comercial, a subespécie voltou a reunir cerca de 3 mil animais, mas permanece limitada a uma pequena faixa costeira.
A lontra-marinha-do-sul sobreviveu à caça comercial com cerca de 50 animais escondidos na costa central da Califórnia e hoje mantém uma população próxima de 3 mil. O avanço evitou a extinção, mas a subespécie ainda ocupa somente uma fração de sua distribuição histórica.
O que aconteceu com a lontra-marinha-do-sul?
A lontra-marinha-do-sul, conhecida cientificamente como Enhydra lutris nereis, foi caçada intensamente por causa da pele densa durante os séculos XVIII e XIX. No começo do século XX, acreditava-se que ela havia desaparecido da costa continental dos Estados Unidos.
Um pequeno grupo resistiu próximo a Big Sur, em uma área rochosa de difícil acesso. A partir desse núcleo, a população cresceu lentamente e voltou a ocupar trechos da costa central da Califórnia, além de formar uma população menor na ilha de San Nicolas.

Como cerca de 50 animais deram origem à recuperação?
A proteção estadual adotada pela Califórnia em 1913 interrompeu legalmente a caça, enquanto leis federais posteriores reforçaram a conservação. A subespécie foi classificada como ameaçada em 1977, passando a receber acompanhamento populacional e medidas específicas de recuperação.
O crescimento ocorreu por reprodução natural, proteção contra a captura e monitoramento científico. No fim da década de 1980, 140 lontras também foram transferidas para San Nicolas; apenas cerca de uma dúzia permaneceu inicialmente, mas esse grupo estabeleceu uma segunda população.
Quais números mostram o avanço da população?
A população passou de aproximadamente 50 animais no início do século XX para um patamar que oscila em torno de 3 mil indivíduos. O resultado representa uma recuperação expressiva, embora o crescimento tenha desacelerado e varie conforme sobrevivência, alimento e condições locais.
O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos informa que a subespécie recuperou cerca de 13% da distribuição histórica. A capacidade potencial dos habitats californianos é estimada em aproximadamente 17 mil animais.
Os principais marcos revelam a distância entre escapar da extinção e completar a recuperação.
Por que 3 mil indivíduos ainda não representam recuperação completa?
A maioria permanece concentrada entre os condados de San Mateo e Santa Barbara, com uma população menor em San Nicolas. Essa distribuição estreita aumenta a vulnerabilidade a doenças, contaminação costeira e eventos capazes de atingir muitos animais simultaneamente.
As pesquisas do Serviço Geológico dos Estados Unidos acompanham abundância e expansão territorial. A região central está próxima do limite de alimento disponível, enquanto mordidas de tubarão dificultam o avanço pelas extremidades há mais de 20 anos.
A comparação entre recuperação numérica e territorial mostra por que o risco permanece.
Quais ameaças ainda limitam a lontra-marinha-do-sul?
Mordidas de tubarão estão entre as principais causas de mortalidade nas bordas da distribuição, embora esses peixes normalmente não consumam as lontras. Doenças, toxinas produzidas por algas, parasitas e poluentes levados da terra também comprometem a sobrevivência.
Derramamentos de petróleo representam risco elevado porque a lontra não possui uma camada espessa de gordura. Ela depende da pelagem limpa e impermeável para conservar calor, e a contaminação pode destruir esse isolamento rapidamente.
Os obstáculos acompanhados pelos programas de conservação incluem:
- Reduzir mortes nas extremidades da distribuição atual.
- Evitar contaminação por petróleo e poluentes costeiros.
- Controlar doenças, parasitas e toxinas ambientais.
- Ampliar a população para novas áreas adequadas.
- Preservar diversidade genética após o gargalo histórico.
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Por que a volta desse mamífero transforma a costa?
A lontra-marinha-do-sul funciona como predadora-chave ao consumir ouriços, caranguejos, moluscos e outros invertebrados. Ao controlar ouriços, reduz a pressão sobre as florestas de algas, que oferecem abrigo e alimento para numerosas espécies costeiras.
Nos estuários, a predação de caranguejos favorece pequenos organismos que limpam as folhas das pradarias marinhas. A recuperação da lontra, portanto, não representa apenas o retorno de um mamífero: ela recompõe relações ecológicas perdidas durante séculos de caça.
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