Maior abelha do mundo reaparece após 38 anos e encontro dentro de árvore emociona cientistas
Uma expedição de cinco dias terminou no alto de uma árvore, onde um cupinzeiro guardava a prova esperada havia quase quatro décadas.
A maior abelha conhecida é a abelha-gigante-de-Wallace, fotografada viva na Indonésia em 2019 após 38 anos sem registro científico em campo. A fêmea estava escondida num cupinzeiro ativo construído em uma árvore e tinha envergadura estimada em 6,3 centímetros.
Como a maior abelha reapareceu após 38 anos?
A Megachile pluto havia sido documentada pela última vez em 1981, quando o entomólogo Adam Messer localizou seis ninhos em ilhas indonésias. Outras expedições tentaram reencontrá-la, mas não conseguiram confirmar novos indivíduos vivos na natureza.
Em janeiro de 2019, uma equipe internacional encontrou uma fêmea nas Molucas do Norte. O inseto foi fotografado e filmado vivo pela primeira vez, acrescentando novas imagens à história da abelha-gigante-de-Wallace.

Por que um inseto tão grande permaneceu escondido?
A espécie ocorre em poucas ilhas e depende de florestas tropicais de baixa altitude. Sua aparente raridade, a distribuição limitada e a falta de pesquisas frequentes ajudam a explicar por que a abelha ficou fora dos registros por quase quatro décadas.
O esconderijo também dificulta qualquer busca. As fêmeas ocupam cupinzeiros ativos instalados em troncos ou galhos, vários metros acima do solo. Nem todo ninho de cupins abriga abelhas, obrigando pesquisadores a examinar dezenas de estruturas semelhantes.
Como a equipe encontrou a fêmea dentro da árvore?
Durante cinco dias, os pesquisadores enfrentaram calor, umidade e chuva intensa enquanto inspecionavam cupinzeiros nas árvores. A fêmea apareceu somente no último dia da busca, dentro de uma estrutura situada a aproximadamente 2,4 metros do chão.
Na inspeção final, a equipe localizou um orifício que levava ao interior da estrutura. A presença da fêmea foi registrada com fotografias e vídeos, produzindo as primeiras imagens de um indivíduo vivo da espécie.
A sequência resume as pistas que levaram ao reencontro:
O que torna essa abelha tão diferente?
Uma fêmea pode alcançar cerca de 3,8 centímetros de comprimento, tamanho próximo ao de um polegar adulto. Sua envergadura chega a aproximadamente 6,3 centímetros, enquanto o corpo pode ser quatro vezes maior que o de uma abelha-europeia.
As enormes mandíbulas servem para raspar e transportar resina e fibras de madeira, não para atacar pessoas. Os machos são menores e não possuem essas estruturas tão desenvolvidas, mostrando uma diferença marcante entre os sexos.
Os números e características colocam o tamanho em perspectiva:
Como ela vive dentro de um cupinzeiro ativo?
A abelha cria túneis e câmaras dentro da estrutura dos cupins. Ela mistura resina pegajosa com fibras de madeira para formar um revestimento duro e impermeável, capaz de separar suas áreas internas dos insetos que construíram o cupinzeiro.
Essa relação oferece proteção, mas liga a sobrevivência da espécie às árvores, à disponibilidade de resina e aos cupins arbóreos. A ficha mantida pela Re:wild registra a abelha como vulnerável e restrita a uma região pequena.
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Por que o reencontro não eliminou as ameaças à espécie?
A derrubada de florestas para agricultura reduz árvores maduras, fontes de resina e cupinzeiros adequados. Como a distribuição conhecida cobre poucas ilhas, a perda de habitat pode atingir uma parcela importante da população antes mesmo que seu tamanho seja calculado.
O comércio de exemplares também preocupa pesquisadores, pois o tamanho e a raridade atraem colecionadores. O reencontro confirmou que a espécie resistiu, mas sua proteção depende de pesquisa, fiscalização e conservação florestal para que não desapareça novamente.
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