Maduro nega tortura em tribunal dos EUA
Ex-ditador e a mulher, presos desde janeiro, respondem a denúncia ampliada; julgamento foi marcado para 14 de junho de 2027
Acorrentados pelos tornozelos, o ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher dele, Cilia Flores, rejeitaram nesta sexta-feira, 16, as acusações de tortura incluídas na denúncia reformulada do Ministério Público dos Estados Unidos.
O casal está detido no Brooklyn desde janeiro, quando forças americanas os prenderam em Caracas e o levaram para Nova York.
O que diz a denúncia
A nova peça mantém as acusações de tráfico de drogas e acrescenta a de que Maduro e Flores comandaram uma campanha de repressão estatal durante o governo dele, entre 2013 e 2026. Segundo os promotores, dezenas de pessoas foram torturadas, três delas com cidadania americana.
O documento descreve espancamentos, asfixia e choques elétricos. Maduro teria indicado métodos, recebido informes sobre o tratamento de presos determinados e ameaçado de morte o filho de um detido, como pressão psicológica.
A Flores, de 70 anos e ex-procuradora-geral, a acusação atribui participação na montagem do sistema e ordens de tortura contra pessoas específicas.
O casal responde também por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, conspiração para cometer tortura, e por posse, e conspiração para posse, de armas de destruição em massa.
As respostas ao juiz
Ao ser chamado a se manifestar, Maduro classificou as alegações como “acusações falsas e testemunhos falsos”. Disse ainda que a denúncia se baseia em “falsas acusações e depoimentos contra sua pessoa” e a descreveu como uma “série de elementos e ataques que ele já conhecia no passado”.
Flores falou menos. Declarou-se “completamente inocente” e “não culpada” das novas acusações.
Os dois afirmaram que os advogados os informaram sobre a denúncia e que receberam uma cópia em espanhol. Foi uma das raras ocasiões em que se ouviu a voz de ambos desde que foram apresentados à Justiça americana, em janeiro.
Calendário e precedentes
O juiz adiou o início do julgamento para 14 de junho de 2027. A última audiência antes dessa data será em 7 de junho, e não há outra marcada até dezembro. A defesa pediu mais tempo para responder à nova denúncia.
Organizações de direitos humanos acusam autoridades venezuelanas de torturar presos há anos, mas é a primeira vez que Maduro pode ser responsabilizado judicialmente por esses casos. O Tribunal Penal Internacional investiga o ex-presidente por suspeita de crimes contra a humanidade na repressão a opositores e ainda não expediu mandado contra ele.
Críticos da operação de janeiro a consideram violação do direito internacional. Nos Estados Unidos, processos criminais contra autoridades estrangeiras são raros. Entre os poucos casos recentes estão o do filho do ex-presidente liberiano Charles Taylor, o de russos acusados de crimes de guerra na Ucrânia e o de um ex-diretor de prisão no governo de Bashar al-Assad, na Síria.
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