Macron instrui reforço na fronteira após ‘invasão’ de Ceuta
Presidente francês mobiliza unidades de segurança, aviões e drones na fronteira
O presidente francês, Emmanuel Macron, determinou nesta sexta-feira, 31, reforço na fronteira com a Espanha em meio à crise migratória no enclave espanhol de Ceuta.
Em comunicado no X, Macron afirmou que Ceuta não integra o espaço de livre circulação do Acordo de Schengen e informou que orientou o ministro do Interior a intensificar os controles na fronteira, caso necessário.
“Ceuta não beneficia da livre circulação para o resto do espaço Schengen. Contudo, pedi ontem ao Ministro do Interior que reforçasse os controles na nossa fronteira com Espanha, se tal se mostrasse necessário: 4 unidades de forças móveis, aviões e drones estão implantados.
Estas medidas vêm reforçar as disposições que tomámos desde 2020 para melhor proteger a nossa fronteira com Espanha, em estreita coordenação, com brigadas comuns e uma ação conjunta de luta contra a imigração clandestina. Estas medidas vêm completar os instrumentos europeus adotados para assegurar os retornos e aplicar o pacto sobre asilo e migrações, com uma queda de 25% dos fluxos irregulares para a União Europeia no ano passado e uma redução prosseguida nas rotas migratórias atlântica e do Mediterrâneo ocidental em 2026.”
Itália suspende livre fluxo
Também nesta sexta, 31, a Itália anunciou a suspensão temporária do Acordo de Schengen com a Espanha, que prevê o livre fluxo de pessoas entre os dois países.
A decisão impõe o fechamento das fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha, além do retorno temporário das inspeções de pessoas provenientes do território espanhol.
Segundo o comunicado, a suspensão é prevista no Acordo de Schengen “em caso de grave ameaça à ordem pública ou à segurança interna”.
O ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a suspensão do acordo.
“A suspensão temporária de Schengen com a Espanha é uma escolha necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras europeias. Uma medida prevista pelos tratados e tornada hoje ineludível. A crise dos migrantes em Ceuta nos lembra que a gestão das fronteiras da União é uma responsabilidade comum dos nossos Países, uns em relação aos outros. É preciso trabalhar juntos para evitar que fluxos descontrolados de migrantes entrem no território da UE, com todos os riscos subsequentes e com a ameaça do terrorismo, que deve ser combatida sem hesitações”, escreveu no X.
Leia mais: Itália suspende livre fluxo de pessoas com a Espanha
Invasão de Ceuta
O Ministério do Interior da Espanha afirmou que cerca de 50 mil pessoas entraram ilegalmente no país desde o início da crise migratória em Ceuta, das quais metade retornou voluntariamente ao Marrocos.
O número é significativamente inferior ao divulgado pelo presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas.
Vivas estimou o total de marroquinos que entraram na cidade em 60 mil.
Pelo menos 34 pessoas morreram ao fazerem a travessia para Ceuta.
Cidade autônoma
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha situada no norte da África e faz fronteira terrestre com Marrocos.
O território enfrenta uma recorrente crise migratória devido à sua posição estratégica no Estreito de Gibraltar.
A região liga o mar Mediterrâneo ao oceano Atlântico, sendo a porta de entrada terrestre da União Europeia na África.
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