Macron fecha cerco contra Irmandade Muçulmana
Relatório oficial acusa grupo de controlar mesquitas e escolas e infiltrar instituições públicas com apoio de Turquia e Catar
O presidente Emmanuel Macron determinou que o governo francês apresente, até junho, novas ações para limitar a influência da Irmandade Muçulmana no país.
A ordem foi dada após a entrega de um relatório oficial que aponta o controle, pelo grupo, de 139 mesquitas, 280 associações e 21 escolas em território francês.
O documento identifica a Federação dos Muçulmanos da França como principal representante da Irmandade no país.
Segundo o texto, a organização busca influenciar políticas públicas por meio da infiltração em instituições locais, como escolas e administrações municipais.
O relatório descreve uma estratégia de inserção planejada, com o objetivo de alterar normas sociais em temas como laicidade e igualdade entre homens e mulheres.
Os autores afirmam que a atuação da Irmandade tem apoio político e financeiro do governo turco e do governo do Catar.
Diante das conclusões, o partido de Macron propôs a proibição do uso do véu islâmico por meninas com menos de 15 anos em espaços públicos. A justificativa é a defesa da igualdade de gênero e dos direitos da infância.
A Federação dos Muçulmanos nega vínculos com a Irmandade e afirma seguir os princípios da República.
O Palácio do Eliseu sustenta que as medidas visam garantir a coesão social e proteger os valores do Estado laico.
As propostas finais serão apresentadas na próxima reunião do gabinete de segurança, marcada para o início de junho.
“‘Submissão” previu?
A reação do governo Macron ao avanço da Irmandade Muçulmana remete ao enredo de Submissão, romance distópico de Michel Houellebecq.
Na ficção, um partido islâmico moderado assume o poder na França após alianças políticas pragmáticas, e passa a moldar instituições com base em seus valores religiosos.
Ambos os contextos refletem a dificuldade do Estado francês em proteger sua tradição laica diante de movimentos identitários organizados.
Assim como no livro, o debate real gira em torno do risco de erosão dos valores republicanos. O temor de submissão institucional a um projeto cultural estrangeiro mobiliza setores do governo e da sociedade civil.
Apesar das diferenças entre ficção e realidade, a crise de identidade descrita por Houellebecq encontra eco no atual momento político francês.
A polarização, a apatia política e a preocupação com segurança pública tornam a narrativa do romance menos improvável. O livro serve como alerta para os dilemas contemporâneos da democracia liberal.
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Comentários (1)
Jose Diogo de Almeida
22.05.2025 07:51Kadafi já dizia ... que os mulcumanos tomarão a Europa sem dar um tiro, só procriando ... eles tem 4 a 6 filhos, sendo que o Europeu legitimo não chega a hum filho por casal.