Luzes misteriosas após terremoto intrigam cientistas
Moradores de diversas regiões sísmicas do mundo relatam há séculos clarões coloridos no céu associados a fortes terremotos
Moradores de diversas regiões sísmicas do mundo relatam há séculos clarões coloridos no céu associados a fortes terremotos, fenômeno hoje conhecido como luzes de terremoto e registrado com mais frequência desde a popularização de câmeras digitais.
O que são as luzes de terremoto
As luzes de terremoto são flashes, globos ou faixas luminosas que surgem no céu ou próximos ao solo em áreas afetadas por abalos sísmicos.
Podem aparecer segundos antes, durante ou logo após o tremor principal, com cores azuladas, esverdeadas, brancas e, às vezes, rosadas.
Relatos históricos mencionam “chamas saindo do chão”, “globos brilhantes” sobre cidades e “relâmpagos sem nuvem” perto de epicentros.
Muitos desses registros só ganharam credibilidade após serem captados por câmeras de segurança, celulares e satélites a partir do fim do século 20.
Blue flashes lighting up the night sky in rural Japan during the 7.6 Aomori earthquake
— Massimo (@Rainmaker1973) December 9, 2025
A rare phenomenon known as earthquake lights, created when seismic stress builds electric charge and ionizes the airpic.twitter.com/wRAXacp5CI
Como as luzes de terremoto se formam
A hipótese principal indica que o esforço mecânico nas rochas da crosta gera processos elétricos capazes de ionizar o ar.
Quando camadas rochosas se comprimem, fraturam ou deslizam em falhas geológicas, certos minerais liberam cargas elétricas que podem criar campos intensos.
Experimentos em laboratório, como os da Universidade de Rutgers, mostram que rupturas em materiais granulares produzem voltagens significativas.
Em escala geológica, descargas ainda mais fortes poderiam alcançar a superfície e gerar clarões, feixes verticais ou globos luminosos distintos de relâmpagos de tempestade.
As luzes de terremoto podem servir como alerta antecipado
Pesquisadores investigam se esses clarões poderiam funcionar como um sinal de alerta antes de grandes sismos.
Alguns relatos citam pessoas que viram luzes estranhas minutos ou horas antes de abalos intensos e deixaram suas casas a tempo de evitar desabamentos.
Entretanto, a relação não é simples: muitos grandes terremotos não apresentam luzes visíveis, e nem todo brilho atípico tem origem tectônica.
Em áreas urbanas, curtos-circuitos, explosões de transformadores e falhas em linhas de transmissão durante o tremor geram flashes semelhantes e dificultam a identificação imediata da causa.
'Earthquake Lights' caught on video during #eqnz this morning. Spooky stuff.
— Finn Dinneen (@finndinneen) November 13, 2016
Apparently caused by stress-induced electrical currents. pic.twitter.com/Pval0szrIR
Quais são as principais características das luzes de terremoto
Ao cruzar vídeos, relatos de moradores e dados sísmicos, pesquisadores identificam padrões recorrentes nas ocorrências luminosas associadas a terremotos.
Esses elementos ajudam a distinguir melhor o fenômeno de outras fontes de luz na atmosfera ou em áreas urbanas.
- Momento: antes, durante ou logo após o tremor principal.
- Formato: flashes, globos, feixes verticais ou manchas difusas.
- Cor: predominância de tons azulados, esverdeados e esbranquiçados.
- Localização: proximidade com falhas geológicas e epicentros.
- Duração: de frações de segundo a alguns minutos, conforme o evento.
Como a ciência investiga e monitora as luzes de terremoto
O estudo das luzes associadas a terremotos envolve geofísica, física do estado sólido, eletricidade atmosférica e engenharia.
Pesquisadores analisam que tipos de rocha geram mais carga, que condições de pressão e temperatura favorecem o fenômeno e por que algumas regiões o registram com maior frequência.
As abordagens incluem simulações em laboratório, monitoramento em campo com sensores e câmeras, análise de arquivos históricos e modelagem teórica dos processos elétricos em rochas sob forte estresse tectônico.
Em alguns sistemas de monitoramento sísmico avançados, anomalias luminosas e elétricas começam a ser consideradas informação complementar aos dados sísmicos tradicionais.
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