Lago Fantasma ressurge após 100 mil anos em um dos lugares mais quentes da Terra
Entre montanhas áridas e temperaturas extremas, um antigo lago voltou a chamar a atenção em um dos lugares mais secos da América do Norte
Entre montanhas áridas e temperaturas extremas, um antigo lago voltou a chamar a atenção em um dos lugares mais secos da América do Norte.
Em pleno Deserto de Mojave, na Califórnia, a água reapareceu na região de Badwater Basin, ponto mais baixo do continente e parte do Death Valley National Park, formando uma lâmina temporária ligada ao antigo Lake Manly e reacendendo debates sobre clima, extremos meteorológicos e turismo.
O que é o lago em Death Valley
O lago em Death Valley se refere à lâmina d’água que se forma sobre o piso salino de Badwater Basin após chuvas intensas. Em períodos secos, a área fica coberta por crostas de sal e sujeita a temperaturas que facilmente ultrapassam 45 °C no verão.
O lago atual é raso e temporário, com profundidade de poucos centímetros a pouco mais de um metro, bem diferente do grande lago da Era do Gelo. Ainda assim, o espelho-d’água muda a paisagem, reflete montanhas ao redor e cria um cenário incomum em um ambiente reconhecido pela aridez extrema.
After record rainfall filled Death Valley’s Badwater Basin, an ancient Ice Age lake known as Lake Manly has temporarily reappeared in California’s Death Valley National Park pic.twitter.com/cv2PTsPAgE
— Anwyn Robbins (@AnwynVerse) December 13, 2025
Como o lago em Death Valley se forma e reaparece
O reaparecimento recente do lago temporário em Death Valley está ligado a tempestades tropicais, frentes frias e rios atmosféricos que trazem chuvas acima da média anual. Em alguns meses, o volume acumulado pode superar o esperado para todo o ano no parque.
O solo compacto, salino e pouco permeável favorece o acúmulo superficial de água na depressão de Badwater Basin, cerca de 86 metros abaixo do nível do mar.
Três fatores principais determinam por quanto tempo o lago permanece visível após esses episódios de chuva intensa:
- Temperatura do ar: quanto maior o calor, mais rápida a evaporação;
- Intensidade dos ventos: o vento acelera a perda e a dispersão da água;
- Ocorrência de novas chuvas: tempestades adicionais recarregam o lago.
Por que o lago em Death Valley atrai turistas
A presença de um lago sazonal em Death Valley altera a experiência típica dos visitantes, que deixam de ver apenas o sal ressecado para observar um espelho-d’água cercado por montanhas. O contraste entre deserto extremo e lago temporário aumenta a procura por hospedagem, passeios guiados e experiências fotográficas.
Mirantes como Dante’s View permitem enxergar a extensão da bacia e a forma do lago, enquanto o acesso à margem costuma ser feito por uma caminhada curta a partir do estacionamento de Badwater Basin. Muitos viajantes planejam a visita com urgência, conscientes de que o fenômeno é raro e pode desaparecer em poucas semanas.
Quais cuidados são necessários ao visitar o lago
Mesmo com água na paisagem, Death Valley continua sendo um ambiente desértico e exigente, com calor intenso e terreno instável. O piso salino encharcado pode ficar escorregadio ou lamacento, dificultando a locomoção e aumentando o risco de quedas ou atolamento de veículos.
As autoridades do parque recomendam verificar condições climáticas e de estradas antes da viagem, levar água em quantidade adequada e usar calçados fechados. Estradas secundárias costumam sofrer danos após tempestades, por isso é aconselhável priorizar rotas oficiais e planejar o retorno considerando tempo de caminhada e exposição ao sol.

Como o lago em Death Valley ajuda a entender o clima
O ressurgimento periódico do lago em Death Valley funciona como um marcador visível da variabilidade climática em regiões áridas. Cada episódio de enchimento está associado a eventos extremos, como recordes de precipitação em curto período.
Ao mesmo tempo em que atrai visitantes, o lago sazonal destaca a sensibilidade do deserto a mudanças nas chuvas e nas temperaturas. Para pesquisadores, ele oferece uma oportunidade de observar processos de evaporação rápida, dinâmica de sal e adaptação da infraestrutura turística a condições mais instáveis.
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