Kiev sofre ataque massivo russo durante a madrugada
Bombardeio gerou incêndios e múltiplos pedidos de assistência médica
A capital ucraniana, Kiev, foi alvo de um ataque massivo russo na madrugada de sexta-feira, 14.
A informação foi divulgada pelo prefeito da cidade Vitali Klitschko, em seu canal no Telegram.
“Forças de defesa aérea estão operando em Kiev. Um ataque inimigo maciço contra a capital”, escreveu.
Segundo Klitschko, um incêndio atingiu o telhado de um prédio residencial de cinco andares no distrito de Solomyansky.
Há também vários pedidos de assistência médica nos distritos de Desnyansky e Shevchenkivsky.
Outro incêndio foi registrado em um prédio residencial no bairro de Podilsky.
A Ucrânia é da Rússia?
O filósofo russo Alexander Dugin, um dos principais formuladores do pensamento nacionalista russo atual, publicou no X uma resposta direta à ativista ucraniana Olena Halushka, que havia listado Kherson, Donetsk, Luhansk, Mariupol e Crimeia como territórios ucranianos.
Halushka é cofundadora do Centro Internacional pela Vitória da Ucrânia e integrante do conselho do Centro de Ação Anticorrupção.
A frase repete o eixo central da doutrina de Dugin, que nega a soberania da Ucrânia e defende a reconstrução de um império russo. Em Fundamentos de Geopolítica, de 1997, ele descreve a Ucrânia como “inimigo objetivo” e “erro histórico” que ameaça a segurança de Moscou.
Dugin é o principal formulador do eurasianismo, corrente que propõe uma civilização multipolar baseada em valores tradicionais e contrária ao Ocidente liberal.
Ele é também um dos três personagens centrais do livro Guerra pela Eternidade, do pesquisador americano Benjamin Teitelbaum, que retrata o filósofo como elo entre o pensamento tradicionalista e o projeto geopolítico do Kremlin.
Dugin ganhou notoriedade internacional em 2014, ao apoiar a anexação da Crimeia e difundir o conceito de “Nova Rússia”, usado pelo governo russo para justificar o avanço sobre o leste da Ucrânia.
Em 2015, foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por apoiar ações que ameaçavam a soberania ucraniana. Reino Unido, Canadá, Japão e Ucrânia adotaram medidas semelhantes.
Em 2022, sua filha, Darya Dugina, morreu em explosão de carro nos arredores de Moscou. O governo russo atribuiu o ataque a agentes ucranianos.
Desde o início da guerra, Dugin defende a vitória total da Rússia e a mobilização permanente do país.
A postagem desta semana reafirma, em uma frase, a base ideológica que ele sustenta há quase três décadas: a negação da Ucrânia como nação independente.
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