Justiça da Bolívia convoca Evo Morales para julgamento por tráfico de pessoas
Ex-presidente boliviano não sai da região de Cochabamba desde outubro, onde conta com a proteção de plantadores de coca
A Justiça da Bolívia voltou a convocar ex-presidente Evo Morales (foto) para comparecer a um tribunal na região de Tarija em 14 de janeiro de 2025, onde será julgado por acusação de tráfico de pessoas agravado.
Segundo o tribunal, a audiência presencial definirá se Morales responderá ao processo em liberdade ou em prisão preventiva.
O ex-presidente já havia faltado a uma convocação anterior, relacionada a acusações de que ele teria mantido um relacionamento com uma adolescente durante seu mandato.
Morales não sai da região de Trópico de Cochabamba desde outubro, onde conta com a proteção de plantadores de coca, base de sua influência política e sindical.
Em 17 de dezembro, Morales, alvo de um mandado de prisão desde outubro, afirmou nas redes sociais X ser vítima de uma “guerra jurídica” promovida pelo governo de Luis Arce, seu rival político e atual presidente da Bolívia.
Um dia antes, a procuradora de Tarija, Sandra Gutiérrez, apresentou uma acusação formal contra Morales e a mãe da suposta vítima, alegando que os pais da jovem teriam lucrado ao entregá-la ao ex-presidente em troca de favores.
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Acusações
O ex-presidente boliviano é alvo de sete denúncias de abuso de menores na região de Cochabamba.
A Argentina também abriu uma investigação sobre Morales em novembro, também por tráfico de pessoas e abuso sexual. O ex-presidente viveu na Argentina por um ano após deixar o poder em 2019, quando renunciou à presidência em meio a uma crise política e acusações de fraude eleitoral.
Ele teria convivido com quatro adolescentes menores no período em que teve asilo político na Argentina, entre 2019 e 2020, no governo de Cristina Kirchner.
As adolescentes foram levadas da Bolívia para realizar trabalhos domésticos na casa em que ele vivia.
Tráfico de drogas
As chances de Morales ter de prestar depoimento em Tarija são baixas.
Ele está protegido por seguidores armados na região cocalera do Chapare, fonte da cocaína e da pasta de coca consumida nas ruas do Brasil.
“Evo não tem medo da Justiça boliviana. Seus apoiadores impedem a entrada da polícia no Chapare, território em que a soberania boliviana não prevalece. O que Evo teme é ser extraditado para os Estados Unidos, como acaba de acontecer com o seu ex-czar antidrogas Maximiliano Dávila“, diz o jornalista boliviano e pesquisador sobre segurança Humberto Vacaflor.
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