Justiça barra Trump de impedir alunos estrangeiros em Harvard
Universidade tem vitória temporária contra ordem do governo americano sobre matrículas de estudantes internacionais
A juíza federal Alisson D.Burroughs bloqueou nesta quinta-feira, 29, a tentativa do governo Trump de impedir matrículas de estudantes internacionais na universidade de Harvard.
Em sua decisão, a magistrada ratificou sua própria ordem de restrição temporária, emitida na semana passada, cujo texto proibia o governo americano de bloquear as matrículas de alunos estrangeiros.
Segundo a juíza Alisson, o entendimento deve permanece em vigor até novo julgamento.
A decisão dá a Harvard uma vitória temporária em meio à batalha com Donald Trump.
“A decisão judicial de hoje permite que a Universidade continue matriculando estudantes e acadêmicos internacionais enquanto o caso avança”, afirma a universidade, em nota.
E continua:
“Harvard continuará a tomar medidas para proteger os direitos de nossos estudantes e acadêmicos internacionais, membros de nossa comunidade que são vitais para a missão acadêmica e a comunidade da Universidade — e cuja presença aqui beneficia imensamente nosso país”, conclui.
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Liminar
Na semana passada, Harvard entrou com um pedido liminar para suspender a ordem de Trump.
A juíza Alisson Burroughs afirmou, em sua decisão, que “Harvard demonstrou que, a menos que seu pedido para restringir temporariamente [a ordem de Trump] seja atendido, sofrerá danos imediatos e irreparáveis”.
Segundo a universidade, a ação da Casa Branca viola a Primeira Emenda da Constituição americane a impactará a vida de 7.000 estudantes internacionais.
“Com um único golpe de caneta, o governo tentou apagar um quarto do corpo estudantil de Harvard – estudantes internacionais que contribuem significativamente para a universidade e sua missão. Sem seus estudantes internacionais, Harvard não é Harvard”, afirma a universidade.
Carta formal
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, enviou uma carta à universidade informando sobre a revogação.
“Estou escrevendo para informá-los que, com efeito imediato, a certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio da Universidade de Harvard está sendo revogada”, diz trecho.
De acordo com a Casa Branca, a universidade criou um ambiente inseguro aos alunos ao permitir que “agitadores antiamericanos e pró-terroristas” atacassem judeus.
Além disso, Kristi acusou Harvard de proximidade com o Partido Comunista Chinês.
“Este governo está responsabilizando Harvard por fomentar violência, antissemitismo e coordenação com o Partido Comunista Chinês em seu campus ”, disse.
Cortes
No último mês, Trump deu início a seguidas batalhas que enfrentaria contra diversas universidades americanas de primeira linha.
O republicano ficou incomodado com protestos antissemitas em campis.
Além disso, ele criticou as políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), anuladas por decreto logo no primeiro de seu mandato.
Trump chegou a classificar Harvard como uma “instituição antissemita e de extrema esquerda”
Além da suspensão do repasse, o governo americano defendeu tributação como “entidade política”, em razão das manifestações políticas.
“Talvez Havard devesse perder seu status de isenção de impostos e ser tributada como uma entidade política se continuar promovendo essa ‘doença’ de cunho político, ideológico e inspirada/apoiadora do terrorismo”, escreveu Trump.
Com isso, a universidade entrou com um pedido liminar no tribunal federal de Massachussets para impedir o corte de US$ 2 bilhões em fundos federais.
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