Justiça alemã condena afegão à prisão perpétua
Tribunal de Munique reconhece motivação religiosa em atropelamento que matou mãe e filha durante marcha sindical
Um tribunal alemão condenou nesta semana à prisão perpétua um afegão de 25 anos por atropelar intencionalmente manifestantes durante uma marcha sindical em Munique, em fevereiro de 2025. O ataque matou uma mulher de 37 anos e sua filha de dois anos, e deixou mais de 40 pessoas feridas. A Justiça também considerou o réu culpado de tentativa de homicídio em outros 23 casos.
A decisão partiu do Tribunal Superior Regional de Munique, que atendeu ao pedido da promotoria federal por pena máxima. A defesa havia solicitado 15 anos de reclusão e internação psiquiátrica, mas o colegiado optou pela condenação mais severa, somando ainda 19 casos de lesão corporal grave e três de lesão corporal dolosa.
Ataque teve viés religioso, diz juiz
O magistrado Michael Höhne descreveu o condenado, identificado como Farhad N., como um homem de baixa autoestima que se radicalizou dentro da fé islâmica.
Segundo o tribunal, ele conduziu o carro deliberadamente contra o grupo, atingindo os manifestantes pelas costas após ultrapassar uma viatura policial.
Höhne afirmou que o réu tinha a intenção de “atacar e matar o maior número possível de pessoas escolhidas aleatoriamente, que ele considerava infiéis, como reação à situação dos muçulmanos em países islâmicos”.
O juiz também criticou o uso político do crime, dizendo que “círculos da direita e da extrema direita utilizam justamente crimes como esse para estimular, entre a população, o ódio contra estrangeiros, muçulmanos e minorias”.
Um perito psiquiátrico identificou transtorno de personalidade no acusado, mas a corte não considerou o diagnóstico motivo para reduzir a pena.
O número de vítimas fatais só não foi maior porque o câmbio do veículo se desengatou por causa não esclarecida, impedindo que o carro ganhasse mais velocidade até ser contido pela própria multidão atropelada.
Família rejeita instrumentalização
Farhad N. vivia na Alemanha desde 2016, quando chegou ao país como refugiado aos 15 anos. O episódio reacendeu debates sobre política migratória, mas os familiares das vítimas pediram que a tragédia não fosse usada “para alimentar o ódio e explorá-la politicamente”.
Em carta lida por sua advogada, a família, de cultura muçulmana, declarou sobre o autor: “Ele é e continuará sendo um covarde assassino de crianças, aqui e por toda a eternidade”.
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