Júri condena Musk por fraude na compra do Twitter
Veredicto responsabiliza o bilionário por perdas de acionistas durante as negociações de 2022; indenizações podem chegar a bilhões
Um júri federal em São Francisco, EUA, decidiu nesta sexta-feira, 20, que Elon Musk agiu com intenção de enganar acionistas do Twitter durante o processo de aquisição da plataforma em 2022. Segundo os jurados, publicações feitas pelo bilionário nas redes sociais derrubaram artificialmente o valor dos papéis da empresa, beneficiando-o na negociação avaliada em US$ 44 bilhões.
O painel de nove pessoas deliberou por quase quatro dias antes de chegar ao veredicto unânime, encerrando um julgamento iniciado em 2 de março. O montante das indenizações a ser pago aos investidores individuais ainda será definido em data posterior, mas pode atingir centenas de milhões ou até bilhões de dólares.
As publicações no centro do processo
Os jurados avaliaram que dois tuítes publicados por Musk em 13 e 17 de maio de 2022 continham informações materialmente falsas ou enganosas. Nas postagens, o empresário alegou que o Twitter tinha um volume excessivo de contas falsas, argumento que usou para tentar se desvincular do acordo de compra e pressionar por um preço menor.
As declarações provocaram uma queda de quase 10% nas ações da empresa em uma única sessão de negociações. O júri estimou a depreciação dos papéis dia a dia ao longo de aproximadamente cinco meses, período que serviu de base para o cálculo dos danos.
Os advogados dos investidores afirmaram que o valor total das perdas soma cerca de US$ 2,1 bilhões, com base no intervalo de US$ 3 a US$ 8 por ação fixado pelo painel para cada dia do período analisado. Musk foi absolvido, porém, da acusação de ter agido em esquema coordenado para derrubar o valor dos papéis, e uma declaração dada em podcast foi considerada pelos jurados como opinião, não como afirmação de fato.
Derrota incomum para o empresário
O resultado interrompe uma sequência de vitórias judiciais de Musk em casos de alto risco. Em 2023, ele saiu vitorioso de um processo movido por investidores da Tesla, que o acusavam de tê-los induzido a erro com uma publicação de 2018 em que afirmava ter “financiamento garantido” para fechar o capital da montadora.
A alcunha de “Elon Teflon” — referência à sua capacidade de sair ileso de disputas judiciais — foi colocada em xeque pelo veredicto desta semana. O advogado dos acionistas, Joseph Cotchett, classificou a decisão como “uma vitória importante, não apenas para os investidores do Twitter, mas para os mercados públicos”.