Jovem do Quênia desenvolveu o tijolo 2.0: a matéria-prima principal é o plástico do frasco de shampoo
Em Nairóbi, uma engenheira de materiais transformou plásticos descartados em tijolos de construção, pavimentos e peças urbanas.
A busca por alternativas ao tijolo tradicional e ao cimento ganhou força nos últimos anos, impulsionada pelo impacto ambiental da construção civil e pelo acúmulo de resíduos plásticos nas cidades.
Nesse contexto, um modelo de tijolos de plástico reciclado que foi desenvolvido por Nzambi Matee, uma jovem engenheira de materiais no Quênia, vem chamando atenção por unir gestão de lixo, inovação em materiais e geração de renda para populações vulneráveis.
Como são produzidos os tijolos de plástico reciclado?
Em Nairóbi, uma engenheira de materiais transformou plásticos descartados em blocos de construção, pavimentos e peças urbanas.
A proposta é criar um produto competitivo em resistência, custo e praticidade em relação ao tijolo de barro e ao concreto usados há séculos.
Resíduos plásticos que iriam para aterros são separados, triturados e misturados com areia.
A mistura é aquecida até o plástico fundir, sem se decompor, e depois comprimida em moldes, originando ladrillos de plástico e outros elementos modulares de alta densidade.
How materials engineer and Gjenge Makers founder Nzambi Matee is transforming plastic waste into bricks that are lighter and five to seven times stronger than concrete
— Massimo (@Rainmaker1973) July 10, 2023
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Como funciona o processo e quais são suas aplicações
O uso de areia como agregado confere estabilidade e peso, enquanto o plástico derretido atua como ligante. Ajustes de proporção e temperatura resultam em boa homogeneidade interna e resistência mecânica superior à de tijolos de barro cozido, segundo testes da empresa.
Após extrusão e prensagem hidráulica, as peças são resfriadas, desmoldadas e padronizadas para uso em calçadas, pátios, estacionamentos e áreas urbanas, com cores variadas conforme os pigmentos dos resíduos ou corantes adicionados.
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Quais são as principais vantagens técnicas e de uso?
Os fabricantes destacam a resistência térmica, já que muitos plásticos usados têm ponto de fusão acima de 300 °C, mantendo a forma em ambientes externos quentes.
A flexibilidade reduz o risco de fissuras em comparação com tijolos cerâmicos tradicionais.
Esses blocos tendem a ser mais leves que alguns materiais convencionais, facilitando transporte e manuseio em obras menores. Na prática, podem ser aplicados em diferentes contextos urbanos, como:
Como os tijolos de plástico contribuem para o meio ambiente e o impacto social?
Os ladrillos de plástico reciclado respondem aos baixos índices de reciclagem em muitos países em desenvolvimento, como o Quênia. São usados plásticos HDPE, LDPE e PP, presentes em sacolas, embalagens de limpeza, cordas e baldes.
Desde 2020, centenas de toneladas de plástico foram desviadas de aterros e transformadas em elementos de construção.
A cadeia produtiva envolve catadores, cooperativas e trabalhadores de comunidades vulneráveis, gerando empregos diretos e indiretos, com forte participação de mulheres e jovens.
Quais são os principais desafios para adoção em larga escala?
A consolidação desses blocos como novo padrão enfrenta obstáculos de custo por unidade, dependência de acesso contínuo a resíduos e eficiência energética do processo. Também precisam competir com cadeias já consolidadas de cimento e tijolo cerâmico.
Entre os desafios estão obter certificações técnicas em diferentes países, comprovar desempenho de longo prazo em vários climas, ampliar a escala sem perder qualidade e integrar o produto às normas de construção, consolidando seu papel na construção sustentável e na economia circular.
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