Josias Teófilo na Crusoé: O ânimo beligerante
Assim como Reagan, Trump veio para dar um basta nos excessos dos últimos anos, inspirados por ideologias progressistas
Donald Trump em seu discurso de posse prometeu levar o homem ao planeta Marte.
Elon Musk, na platéia, comemorou vivamente a fala do presidente americano.
Trump disse que os Estados Unidos seguirão “o Destino Manifesto nas estrelas”.
O presidente recém-empossado prometer conquistar o planeta nomeado como deus da guerra é simbólico — os antigos leriam isso como um sinal de tempos beligerantes.
De fato, não faltam sinais: Trump voltou à presidência com sangue nos olhos, assinando logo no primeiro dia 46 decretos com força de lei.
Ele proibiu a censura e a ideologia de gênero, aumentou penas e criou uma força-tarefa para combater crimes na fronteira
Tirou os Estados Unidos da OMS e do Acordo de Paris, e até assinou um decreto que estabelece a arquitetura clássica como padrão para prédios públicos.
Trump e Reagan
Existe uma semelhança entre a condição de Trump e a de Ronald Reagan: os dois vieram de fora de política, foram do show busisness, e foram precedidos por democratas que tiveram um só mandado como presidentes: Joe Biden e Jimmy Carter.
A grande semelhança, porém, está no contexto cultural em que os dois chegaram ao poder:
Reagan foi eleito em plena ressaca do desbunde dos anos 1960 e 1970, uma época de grande liberalidade, em que usou-se drogas como nunca.
A cultura LGBT foi amplamente difundida em filmes, músicas, no teatro e na literatura.
Foi uma época também de grande liberdade artística, em que autores tomaram Holywood, com a chamada Nova Holywood.
Mas aí veio a epidemia de Aids, e a comunidade LGBT foi gravemente afetada. Grandes artistas morreram, clubes fecharam.
A década de 1980 foi muito moldada pela reação aos exageros anteriores, tanto no sentido da liberação sexual quanto no uso de drogas — a principal reação foi a administração Reagan, que teve o mesmo ânimo beligerante de Trump, porém contra o narcotráfico e a União Soviética.
O problema de Trump, porém, é mais interno que externo: é a censura, o qual ele próprio foi vítima após perder a última eleição, e a ideologia de gênero — pauta defendida por bilionários que têm grande influência, assim como a imigração ilegal.
Assim como Reagan, Trump veio para dar um basta nos excessos dos últimos anos, inspirados por ideologias progressistas: apologia de uso de drogas, liberação sexual, criminalidade crescente.
O grande palco usado por Trump para sua segunda eleição, o CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora, em inglês), foi criado por Reagan.
O ex-ator lutou bravamente contra a legalização do aborto, que nos Estados Unidos pode ser realizado até os nove meses da gestação em vários estados.
Foi Trump que conseguiu reverter essa situação, ao indicar uma advogada pró-vida para a Suprema Corte americana.
Foi assim que ele conseguiu reverter a decisão Roe vs Wade, que legalizou o aborto nos Estados Unidos. Agora, alguns estados puderam proibir o procedimento.
Ronald Reagan criou o programa Guerra nas Estrelas em 1983 e tinha como objetivo criar um grande sistema de satélites munidos de canhões a laser para proteger os Estados Unidos de mísseis enviados por outros países, especialmente a União Soviética (URSS), o que garantiu a supremacia na Guerra Fria.
Reagan foi muito bem-sucedido no…
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