Jornalista é preso em Cuba por “desacato”
Regime comunista segue firme e forte em sua vocação repressiva contra jornalistas e opositores políticos
O jornalista independente Henry Constantín Ferreiro, diretor do portal La Hora de Cuba, foi detido em Camagüey, Cuba, no último domingo, 29. A prisão ocorreu enquanto ele acompanhava a repórter Iris Mariño a uma intimação policial e, segundo informações iniciais, Constantín está sendo acusado de desacato. Este incidente é reportado por colegas como parte de uma intensificação das ações repressivas do regime cubano, especialmente às vésperas do quarto aniversário dos protestos populares de 11 de julho de 2021.
Detalhes da acusação e contexto da prisão
Constantín foi abordado por oficiais da polícia política na Terceira Unidade Policial de Camagüey, onde pediram sua identificação antes de algemá-lo e colocá-lo em uma viatura. Conforme relatado por Iris Mariño, que buscou informações na unidade de Operações da Segurança do Estado (Villa María Luisa), um investigador criminal identificado como “Luis” afirmou que o motivo da detenção é uma publicação no Facebook da página La Hora de Cuba, datada de 15 de maio. Essa postagem, segundo a denúncia, fazia referência a um agente da Segurança do Estado.
O portal CiberCuba descreveu a prisão como um novo ato de repressão contra a imprensa independente na ilha. Constantín, que é um ativista cívico e já havia sido detido arbitrariamente em dezembro de 2024 e em 2023, é constantemente monitorado pelo regime.
Pretextos e condenação internacional
Embora a acusação oficial seja desacato, diversos analistas e colegas apontam para outras motivações por trás da detenção de Constantín. Alguns sugerem que a ação visa impedir sua viagem a Havana para a celebração do Dia da Independência dos EUA, que anualmente reúne figuras da cultura e dissidentes.
Outros veem a prisão como uma tática para neutralizá-lo em vista das iminentes comemorações, período em que as autoridades costumam intensificar o controle para prevenir manifestações de descontentamento social.
O jornalista José Raúl Gallego, residente no México, reforça a ideia de que a denúncia de um oficial da Segurança do Estado, que busca agir na sombra, foi o estopim para a acusação de desacato. A repressão se estende a outras figuras públicas, como Dagoberto Valdés Hernández, que também foi impedido de comparecer a eventos e alertado sobre a Lei 80, que pune colaboração com governos estrangeiros.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) emitiu um comunicado condenando veementemente a prisão de Henry Constantín e exigindo sua libertação imediata. A organização também solicitou garantias para sua integridade física e o fim da hostilidade e censura contra quem exerce o direito de informar e opinar livremente.
A situação de Constantín é reflexo da extrema tensão social e política em Cuba, marcada por uma crise econômica agravada, escassez de esperança e mais de 1.000 prisioneiros políticos nas cadeias da ilha dos irmãos Castro.
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