Jornalista da BBC exaltou Hitler e atentados terroristas, diz jornal
Colaborador da BBC Arabic em Gaza é alvo de investigação por incitação ao ódio contra judeus e apoio ao Hamas
A BBC anunciou a abertura de uma investigação interna para apurar denúncias contra colaboradores da BBC Arabic acusados de publicar mensagens antissemitas e de apoio ao Hamas, após revelações do jornal britânico The Telegraph.
Entre os nomes citados está o de Samer Elzaenen, freelancer que atuou repetidamente na cobertura da Faixa de Gaza e que, segundo reportagens repercutidas na mídia israelense, compartilhou declarações como “Vamos queimá-los como Hitler fez”, dirigidas a judeus.
De acordo com as denúncias, Elzaenen também celebrou atentados terroristas, como um atropelamento em Jerusalém que matou duas crianças e um jovem, afirmando que as vítimas “em breve irão para o inferno”.
O jornalista se referiu ainda aos membros do Hamas responsáveis pelos ataques de 7 de outubro de 2023 como “combatentes da resistência”.
Outro colaborador citado, Ahmed Qannan, teria comemorado um atentado contra uma sinagoga e desejado a morte de israelenses.
Já o escritor Ahmed Alagha, também vinculado à emissora, comparou judeus a demônios em suas redes sociais. A BBC declarou que os profissionais mencionados não são empregados fixos, mas prestadores de serviço contratados pontualmente.
A polêmica mobilizou o governo britânico, que por meio da secretária de Estado exigiu explicações formais da direção da BBC quanto ao uso de recursos públicos e à supervisão de seus colaboradores.
O Parlamento britânico foi acionado para assegurar que a emissora mantenha o compromisso legal de classificar o Hamas como organização terrorista, conforme legislação do Reino Unido.
Desde os ataques do Hamas a Israel em outubro de 2023, multiplicam-se denúncias de antissemitismo em ambientes acadêmicos e midiáticos no Ocidente.
O episódio envolvendo a BBC ocorre em meio a esse cenário e pressiona a emissora a adotar medidas mais rigorosas de verificação de conduta, sobretudo em regiões de conflito como Gaza.
O caso também expôs tensões internas na BBC.
Mais de 200 funcionários judeus denunciaram nos últimos dois anos o que chamaram de ambiente hostil a visões pró-Israel.
Em 2023, a emissora foi criticada por proibir a participação de seus funcionários em uma marcha contra o antissemitismo em Londres, enquanto permitiu presença em atos pró-Palestina.
A apuração segue em andamento, sem prazo definido para a conclusão.
Até o momento, a BBC não divulgou os resultados das investigações, mas reiterou que não tolera discurso de ódio ou violação de seus princípios editoriais.
O episódio é acompanhado por parlamentares britânicos e organizações internacionais de combate ao antissemitismo.
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