Jogadoras do Irã são vistas como “traidoras em tempo de guerra”

28.10.2026

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Jogadoras do Irã são vistas como “traidoras em tempo de guerra”
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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 10.03.2026 17:11 comentários
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Jogadoras do Irã são vistas como “traidoras em tempo de guerra”

Cinco atletas iranianas obtêm vistos humanitários na Austrália após se recusarem a entoar o hino nacional em partida da Copa da Ásia

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 10.03.2026 17:11 comentários 1
Jogadoras do Irã são vistas como “traidoras em tempo de guerra”
Jogadora iraniana permanece em silêncio durante execução do hino de seu país

Cinco atletas da seleção feminina de futebol do Irã receberam vistos humanitários do governo australiano e não embarcaram de volta ao seu país após a eliminação da equipe na Copa da Ásia. A decisão foi confirmada pelo ministro da Imigração da Austrália, Tony Burke, na manhã desta terça-feira, 10.

As jogadoras foram identificadas como Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zahra Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi.

O episódio teve origem no dia 4 de março, quando a equipe iraniana ficou em silêncio durante a execução do hino nacional, antes da partida contra a Coreia do Sul. O gesto foi interpretado como protesto e desencadeou reações no Irã. Um comentarista alinhado ao regime classificou as atletas como “traidoras em tempo de guerra”, e cobrou punições.

A fuga e os vistos

Diante do risco que o retorno ao país representaria, as cinco jogadoras deixaram o hotel da equipe na segunda-feira, 9, e foram conduzidas pela polícia australiana a um local não divulgado. Burke afirmou que se reuniu com elas e aprovou os pedidos de visto durante a madrugada.

O visto humanitário australiano garante proteção permanente a refugiados e pessoas em situação de vulnerabilidade, com direito a residir, trabalhar e estudar no país. O primeiro-ministro Anthony Albanese confirmou a concessão dos documentos.

“Elas querem deixar claro que não são ativistas políticas. São atletas que querem estar seguras”, declarou Burke ao anunciar a decisão. O ministro acrescentou que as demais integrantes da delegação foram informadas de que também podem permanecer na Austrália, caso desejem.

Pouco após a saída das cinco atletas do hotel, a BBC registrou supervisores da delegação iraniana circulando pelo estabelecimento à procura delas. As jogadoras, no entanto, já haviam partido.

Pressão, silêncio e hinos cantados

O restante da equipe seguiu para o Aeroporto de Gold Coast, em Queensland, e depois para Sydney. A técnica Marziyeh Jafari foi brevemente retida por dezenas de manifestantes que tentaram convencer as demais atletas a não embarcar. Alguns deitaram no chão para impedir o avanço do ônibus. As jogadoras observaram a cena de dentro do veículo.

Nas duas partidas seguintes, contra a Austrália e as Filipinas, a equipe iraniana entoou o hino e fez a saudação protocolar. O comportamento contrastou com o silêncio da partida anterior e levou observadores a concluir que as atletas teriam sido pressionadas por integrantes do governo que compunham a delegação.

A iraniana Deniz Toupchi disse que “não esperávamos isso, para ser sincera, porque sabemos que é realmente muito grande de se fazer”. E completou: “Estamos apenas orgulhosos delas”.

Famílias e repercussão internacional

Entre as incógnitas do episódio, está a situação das famílias das cinco atletas que permaneceram no Irã. Burke não forneceu detalhes sobre eventuais consequências para os parentes.

Na noite de domingo, 8, centenas de torcedores cercaram o ônibus da seleção ao deixar o estádio em Gold Coast, com gritos de “salvem nossas garotas”. Parte da comunidade iraniana presente nos jogos levou para dentro do estádio bandeiras com o símbolo do leão e do Sol, emblema anterior à Revolução Islâmica de 1979, desafiando avisos externos que proibiam a exibição de qualquer símbolo que não fosse a bandeira oficial atual do país.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou no debate na segunda-feira, ao publicar em sua rede social que a Austrália deveria “conceder asilo” às mulheres, afirmando que os EUA as receberiam caso o país não o fizesse. Cerca de uma hora depois, Trump publicou novamente dizendo ter conversado com o primeiro-ministro australiano e que “cinco já foram resolvidas, e as demais estão a caminho”.

Apoio nas arquibancadas, silêncio em campo

A ativista Naz Safavi, que acompanhou as três partidas da seleção iraniana no torneio, resumiu a percepção de parte do público: “Elas não podem falar livremente porque estão sob ameaça. Nós estamos aqui para mostrar que as apoiamos totalmente”.

Craig Foster, ex-capitão da seleção masculina australiana e defensor de direitos humanos, avaliou que os ativistas têm “preocupações muito razoáveis e sérias com a segurança delas”. Para Foster, toda equipe que participa de torneios regulados pela Fifa deve ter garantido “o direito à segurança e ao apoio externo para expressar quaisquer preocupações” sobre sua integridade presente ou futura.

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Comentários (1)

10.03.2026 17:34

Têm meu respeito!!!!!


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