Jeanine Áñez deixa a prisão após ter condenação anulada
Ex-presidente da Bolívia estava presa desde março de 2021, acusada de tentativa de golpe de Estado
A ex-presidente da Bolívia Jeanine Áñez (foto) foi libertada na tarde desta quinta-feira, 6, após o Supremo Tribunal de Justiça (TSE) anular sua condenação de dez anos por golpe de Estado.
Jeanine foi presa em março de 2021 e passou 20 meses em prisão preventiva.
Ela havia sido condenada por violar normas constitucionais que protegem a ordem democrática.
Em 2019, assumiu a Presidência após a renúncia de Evo Morales, em meio à crise política que se seguiu às denúncias de fraude eleitoral. Sua posse foi validada pelo Tribunal Constitucional da Bolívia.
Na época, Áñez declarou que seu objetivo era conduzir o país a novas eleições e que não concorreria. No entanto, em janeiro de 2020, anunciou sua candidatura, e acabou desistindo em setembro do mesmo ano, diante do baixo desempenho nas pesquisas.
Desabafo
Em seu perfil no X, Jeanine divulgou uma carta em que reflete sobre o período de quase cinco anos em que esteve presa.
“Esses quase 5 anos de privação de liberdade me marcaram, mas não abalaram minhas convicções.
Jamais me arrependerei de ter servido meu país quando ele precisou de mim. Fiz isso com consciência e firmeza de espírito, sabendo que decisões difíceis têm um preço.
Aprendi que a liberdade mais profunda não depende de muros, mas de manter viva a verdade sobre o que fiz e por que o fiz. Continuo acreditando que servir ao meu país foi a coisa certa a fazer, mesmo pagando um preço injusto, porque a história muda, as versões mudam, mas a certeza de que fiz a coisa certa, ninguém pode apagar.”
Ela criticou o processo que levou à sua prisão e disse ter sido alvo de perseguição política.
“Não era justo perder minha liberdade por servir ao meu país, nem continuar sendo estigmatizado por atos de corrupção que jamais cometi. Suportei acusações terríveis, um fardo tão pesado que não me cabe carregar, e mesmo assim não hesitaram em repeti-las descaradamente, sem pestanejar.
A injustiça não se encontra apenas na prisão, mas também nos olhos daqueles que se recusam a enxergar além do preconceito. Ainda assim, permaneço de pé, com a consciência tranquila e a minha dignidade intacta. Sinto que me viram sozinha, sem apoio político, e aproveitaram-se dessa vulnerabilidade para difamar meu nome.
Quando não há poder para te defender, fica fácil apontar o dedo, distorcer os fatos e te tornar alvo do julgamento de todos. Eu não me defendo com poder; eu me defendo com a verdade, e é por isso que o preço tem sido tão alto.
Tem sido uma jornada muito difícil, não só pela privação de liberdade, mas também pelas feridas que vieram de onde eu menos esperava. Dói quando as críticas implacáveis vêm daqueles que eu pensava compartilharem os mesmos ideais, e dói ainda mais ver como esse fardo se estendeu à minha filha, que teve que suportar ataques e censura por decisões que foram exclusivamente minhas.
Nada é mais injusto, e nada pesa mais sobre mim do que isso. Se há algo que dói em todo esse processo, é que meu compromisso acabou afetando o futuro dela. Eles me decepcionaram, me magoaram, mas não conseguiram me destruir.
Apesar de tudo, continuo de cabeça erguida. Minha dignidade não é negociável, nem será manchada por suas mentiras.
Posso olhar qualquer pessoa nos olhos porque tenho a consciência limpa, e nada que façam poderá tirar isso de mim.
Continuo a escolher a verdade em vez do silêncio.”
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