Jaguar Land Rover suspende exportação aos EUA após tarifas de Trump
Os Estados Unidos são o segundo maior destino de veículos britânicos, atrás apenas da União Europeia
A Jaguar Land Rover anunciou neste sábado, 5, a suspensão, por um mês, das exportações de veículos fabricados no Reino Unido para os Estados Unidos.
A medida é uma resposta à tarifa de 25% imposta pelo presidente Donald Trump sobre carros e caminhões leves importados.
“Estamos tomando ações de curto prazo, como a pausa nos embarques em abril, enquanto desenvolvemos planos de médio e longo prazo”, afirmou a montadora em nota.
Os Estados Unidos são o segundo maior destino de veículos britânicos, atrás apenas da União Europeia, representando cerca de 17% das exportações.
No caso da Jaguar Land Rover, o mercado americano responde por aproximadamente 25% das vendas globais. Em 2024, a empresa exportou 38 mil veículos para os EUA no terceiro trimestre — número similar ao total enviado ao Reino Unido e à UE somados.
A JLR afirmou que já possui estoque suficiente em solo americano para os próximos meses, mas teme os impactos da tarifa sobre sua operação. A empresa emprega mais de 12 mil pessoas nas fábricas de Solihull e Halewood, na Inglaterra.
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Tarifaço de Trump
O “tarifaço” de Trump entrou em vigor neste sábado e atinge mais de 180 países e regiões.
Além do Reino Unido, as novas alíquotas incluem 10% sobre todas as importações do Brasil, 20% sobre as da União Europeia, 25% para a Coreia do Sul e 34% para a China. Trump chamou a medida de “declaração de independência econômica”.
A decisão foi mal recebida por analistas e empresários. Segundo oInstitute for Public Policy Research, com base em Londres, as tarifas podem ameaçar até 25 mil empregos no setor automotivo britânico, com destaque para os trabalhadores da Jaguar Land Rover e da Mini.
O impacto das medidas também já se refletiu nos mercados. O principal índice da bolsa de Londres caiu 4,95% na sexta-feira, maior queda diária desde março de 2020. Em Wall Street, o Dow Jones recuou 5,5%. A China respondeu com uma tarifa de 34% sobre produtos dos EUA, válida a partir de 10 de abril.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, iniciou conversas com líderes estrangeiros para tentar evitar uma escalada comercial. Ele conversou com os primeiros-ministros da Austrália e da Itália e classificou uma eventual guerra tarifária como “extremamente prejudicial”.
Bolsas americanas desvalorizam
Na sexta-feira, os índices acionários nos Estados Unidos despencaram pelo segundo dia consecutivo, totalizando perdas de 7 trilhões de dólares ou 40,6 trilhões de reais na cotação atual.
Os investidores têm reduzido suas exposições em renda variável em meio às incertezas sobre a continuidade da pressão tributária imposta pelo presidente Donald Trump.
Alguns países fortemente afetados estão em negociações com o governo dos EUA. Outros já anunciaram que vão “contra-atacar”.
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