Já foi um destino de férias de sonho, mas agora é uma cidade abandonada com praias selvagens
A Cidade Residencial Perlora, nas Astúrias, foi criada em 1950 para ser um dos grandes destinos de férias da costa norte de Espanha.
Criada na década de 1950 para ser um dos grandes destinos de férias da costa norte de Espanha, a Cidade Residencial Perlora, nas Astúrias, passou de símbolo de turismo social organizado a cenário de abandono, marcada por edifícios vazios, infraestruturas degradadas e um património que hoje se equilibra entre a memória e planos de reabilitação.
O que foi a Cidade Residencial Perlora
A Cidade Residencial Perlora, também chamada de Perlora, cidade de férias, foi um complexo turístico e social voltado sobretudo para trabalhadores e suas famílias.
Criada em plena ditadura franquista, em 1952, fazia parte de um plano estatal de promoção do lazer organizado e subsidiado. Em 1954, o hotel Jacobo Campuzano, com 90 quartos, marcou a abertura oficial do espaço.
Ao longo dos anos, surgiram vivendas, apartamentos e residências de vários estilos, formando um microcosmo com alojamento, serviços, praias e atividades concentrados em cerca de 20 hectares junto ao mar Cantábrico.
Que infraestruturas tornaram Perlora um destino de referência
Perlora não era apenas um conjunto de casas de praia: integrava estruturas pensadas para o lazer, a convivência e a cultura.
No auge, empregava cerca de 200 pessoas e recebia mais de dois mil veraneantes por ano, atraídos também pelas praias vizinhas de Huelgues, Carranques e Madrebona.
Entre os principais equipamentos e serviços oferecidos aos visitantes, destacavam-se:
- Campos desportivos e parque infantil para atividades ao ar livre;
- Capela, teatro ao ar livre e biblioteca para uso comunitário;
- Bares, restaurantes, mercearias e amplas zonas verdes;
- Rede de alojamentos com diferentes tipologias e capacidades.
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Como Perlora se transformou em uma cidade fantasma
A decadência de Perlora foi gradual e ligada a mudanças políticas e de gestão após a transição democrática espanhola.
Em 1982, a administração passou do Estado central para o Governo do Principado das Astúrias, alterando o financiamento e a manutenção do complexo.
Sem investimentos consistentes nem adaptação às novas normas turísticas, os edifícios foram-se deteriorando.
Projetos de privatização não avançaram, o hotel Jacobo Campuzano foi demolido em 2005 e, em 2006, os alojamentos encerraram, deixando 274 edifícios devolutos, sujeitos a vandalismo e invasão da vegetação.
Qual é o plano atual para recuperar a Cidade Residencial Perlora como destino turístico
Apesar do abandono, Perlora continua a atrair curiosos, fotógrafos e visitantes das praias próximas.
Em 2024, o Governo do Principado das Astúrias apresentou um plano urbanístico para recuperar o espaço, limitando novas construções a cerca de 20% do previsto em propostas anteriores.
O projeto prevê conservar edifícios emblemáticos, como a capela, o bar La Cabaña e a Villa Homes, requalificar espaços verdes e ordenar as áreas balneares, procurando um desenvolvimento turístico controlado e ambientalmente responsável.
Que legado Perlora deixa para o turismo e a memória coletiva
A história de Perlora sintetiza a evolução do turismo em Espanha, do veraneio subsidiado pelo Estado à atual necessidade de conciliar economia, ambiente e património construído.
Para muitas famílias, o nome ainda evoca temporadas de praia, convivência e lazer em comunidade.
Com a reabilitação em estudo, Perlora pode tornar-se um caso de referência na recuperação de cidades turísticas abandonadas, procurando equilibrar conservação histórica, uso público e proteção costeira, enquanto redefine o seu papel no imaginário das Astúrias.
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