Izabela Patriota na Crusoé: Trump não é o xerife do mundo
Cada vez que Washington assume o papel de polícia global, abre-se um espaço para a esquerda latino-americana reorganizar sua narrativa
Há uma ideia recorrente na política internacional: a de que uma potência estrangeira deve interferir para resolver problemas internos de outras nações.
A depender de onde se está no espectro político, muda apenas o ator desejado.
Alguns esperam que os Estados Unidos assumam esse papel. Outros preferem ver Rússia ou China ocupando esse espaço.
O impulso, no fundo, é o mesmo: acreditar que uma grande potência deve agir para corrigir crises que pertencem a outra sociedade.
No caso americano, isso não quer dizer que os Estados Unidos não possam assumir esse papel em algum momento.
Porém, a Constituição americana foi desenhada para evitar que um homem decida sozinho quando o país vai à guerra. Não foi um descuido. Foi deliberado.
A Constituição dá ao Congresso o poder de declarar guerra. O presidente é comandante em chefe das Forças Armadas, mas apenas depois que a guerra é autorizada politicamente.
Os fundadores dos EUA tinham medo de aventuras militares conduzidas por um Executivo empolgado. Afinal, eles tinham acabado de se libertar de um rei.
A lógica era simples: decisões que custam vidas devem passar por representantes eleitos.
James Madison alertou sobre os perigos das tentações de iniciar guerras pelos chefes do Poder Executivo. Por isso, a Constituição colocou essa decisão nas mãos do Legislativo.
Quando o presidente decide agir unilateralmente no exterior, ele ignora esse desenho institucional.
É curioso como o entusiasmo pela guerra costuma vir de quem não paga o preço dela. É fácil defender bombardeios quando não são os seus filhos que embarcam para o conflito.
Os americanos legitimamente devem se perguntar por que exatamente devem mandar seus jovens para resolver conflitos que não são seus.
O que acontece no Irã é terrível. O que acontece na Venezuela também.
Ainda assim, não são temas…
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Comentários (1)
Marian
08.03.2026 11:02Ora, o que estava acontecendo nesse lado do mundo? os valores ocidentais estavam sendo atacados despudoradamente para fragilizar a família, as instituições e os valores . Isso estava sendo financiado. Uma guerra silenciosa ; a droga matando milhões de jovens por ano. Domínio da mídia, das instituições, das universidades e até da igreja. Essa guerra é aceitável? Acordamos