Itamaraty patrulha Economist com cartinha sobre “autoridade moral de Lula”
O governo sentiu
Incomodado com um artigo publicado no domingo, 29, sobre o presidente Lula (PT) na revista The Economist, o Itamaraty enviou nesta terça-feira, 1º de julho, uma carta à publicação britânica, assinada pelo ministro Mauro Vieira.
No texto, o Itamaraty pinta Lula como coerente na defesa da democracia, enquanto, na realidade, Lula abraça o ditador russo Vladimir Putin e segue apoiando as ditaduras de Venezuela, Cuba, Nicarágua e Irã, cujo ataque à população civil de Israel, que resultou em dezenas de mortes, o governo jamais condenou.
Ao contrário do que diz a carta, Lula não “apontou a necessidade de abrir caminhos para uma resolução diplomática do conflito” na Ucrânia, mas, sim, pressionou o presidente Volodymyr Zelensky a entregar partes do território ucraniano aos invasores, culpando-o pela guerra da qual seu país é vítima.
Por fim, o Itamaraty, como fazem porta-vozes do governo na imprensa, tenta reduzir especificamente a “negacionistas climáticos” os críticos de Lula e ampliar genericamente a “humanistas de todo o mundo” a sua “autoridade moral”. Os números das pesquisas brasileiras, no entanto, mostram que o desgaste de Lula está presente em diversos segmentos da sociedade, não só de direita, mas também na camada independente, chegando até a arranhar a própria base histórica do PT.
A carta
Eis a íntegra da carta do Itamaraty:
“Em relação ao recente artigo publicado na sua página na internet em 29 de junho, gostaria de fazer as seguintes considerações.
Poucos líderes mundiais, como o Presidente Lula, podem dizer que sustentam com a mesma coerência os quatro pilares essenciais à humanidade e ao planeta: democracia, sustentabilidade, paz e multilateralismo. Como Presidente do G20, Lula construiu um difícil consenso entre os membros, no ano passado, e ao longo do processo logrou criar uma ampla aliança global contra a fome e a pobreza. Também apresentou uma ousada proposta de taxação de bilionários que terá incomodado muitos oligarcas.
O Brasil vê o BRICS como ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico. Nossa presidência trabalhará para fortalecer o perfil do grupo como espaço de concertação política em favor da reforma da governança global e como esfera de cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade.
Sob a liderança de Lula, o Brasil tornou-se um raro exemplo de solidez institucional e de defesa da democracia. Mostrou-se um parceiro confiável que respeita as regras multilaterais de comércio e oferece segurança a investidores. Como um país que não tem inimigos, o Brasil é também um coerente defensor do direito internacional e da resolução de disputas por meio da diplomacia.
Não fazemos tratamento à la carte do direito internacional nem interpretações elásticas do direito de autodefesa. Lula é um eloquente defensor da Carta das Nações Unidas e das Convenções de Genebra.
A posição do Brasil quanto aos ataques ao Irã e, sobretudo, às instalações nucleares é coerente com esses princípios. Nossa condenação responde ao fato elementar de que essas ações constituem uma flagrante transgressão da Carta da ONU. Ferem, em particular, as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, organização responsável por prevenir contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala.
Na gestão do Presidente Lula, o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que apontou a necessidade de abrir caminhos para uma resolução diplomática do conflito, ainda em 2023.
Lula não é popular entre os negacionistas climáticos. Em face de uma nova corrida armamentista, ele está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global.
Para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral do presidente Lula é indiscutível.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (4)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
01.07.2025 17:51E como dizia o personagem do Chico Anysio, o prefeito Valfrido Canavieira: "palavras são palavras e nada mais que palavras".
Alberto
01.07.2025 14:24Eu queria viver no país que pseudoministro discorre na carta ao The Economist.
Andre Luis Dos Santos
01.07.2025 13:36MV é um grande merda, assim como Nine. Vergonha para o país. Seguir apoiando esse "governo" e esse ex-condenado e burrice ou canalhice intelectual, simples assim.
Clayton De Souza pontes
01.07.2025 13:21Pois é. O Lula sentiu! E o Vieira só está tentando mostrar serviço, mas a política externa imprestavel está aí pra todo mundo ver. Literalmente