Irã segue interessado na diplomacia, diz ministro
Abbas Araghchi disse, porém, que os EUA devem "demonstrar genuína prontidão para um acordo equitativo"
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi (foto), afirmou nesta terça-feira, 8, que o regime de Teerã continua “interessado na diplomacia” com os Estados Unidos sobre as negociações nucleares.
“O Irã continua interessado na diplomacia, mas temos boas razões para duvidar de um diálogo mais aprofundado. Se houver o desejo de resolver isso amigavelmente, os EUA devem demonstrar genuína prontidão para um acordo equitativo”, escreveu em artigo publicado no jornal britânico Financial Times.
Segundo Araghchi, ele e o enviado americano, Steve Witkoff, estavam “à beira de um avanço histórico” antes dos ataques de Israel e dos EUA às instalações nucleares do regime iraniano em junho.
“Em apenas cinco reuniões ao longo de nove semanas, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e eu, alcançamos mais do que eu havia conseguido em quatro anos de negociações nucleares com o fracassado governo Biden. Estávamos à beira de um avanço histórico”, afirmou.
No artigo, o ministro elogiou os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma indicação de que as negociações sobre o programa nuclear iraniano podem recomeçar.
Araghchi revelou ter recebido mensagens indicando que o governo Trump pode estar pronto para a retomada das conversas.
Brics condena ataques
A declaração final da cúpula dos Brics, sob a coordenação do presidente Lula (PT), condenou os ataques promovidos por Israel e Estados Unidos às instalações militares iranianas.
No entanto, o texto não mencionou diretamente os americanos, mas aliviou a Rússia – que faz parte do bloco – pela invasão à Ucrânia.
“Condenamos os ataques militares contra a República Islâmica do Irã desde 13 de junho de 2025, que constituem uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, diz o documento, cujo conteúdo foi divulgado no domingo, 6.
Lula que já havia condenado no último mês as ações militares contra o Irã, voltou a defender o regime iraniano.
“Sem amparo no direito internacional, o fracasso das ações no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria tende a se repetir de forma ainda mais grave. Suas consequências para a estabilidade do Oriente Médio e Norte da África, em especial no Sahel, foram desastrosas e até hoje são sentidas. O governo brasileiro denunciou as violações à integridade territorial do Irã, como já havia feito no caso da Ucrânia”, afirmou o petista, durante o Brics.
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