Irã responsabiliza EUA após explosão de dois petroleiros no Estreito de Ormuz
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) negou que a informação seja verdadeira
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta, 17, que dois navios petroleiros “explodiram e pegaram fogo” enquanto atravessavam uma área minada ao sul do Estreito de Ormuz
“Dois navios petroleiros, que tentavam atravessar o campo minado ao sul do Estreito de Ormuz por meio de artimanhas conduzidas por agências de inteligência dos Estados Unidos, explodiram e incendiaram-se”, afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado reproduzido no Telegram pela agência oficial Irna.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) negou que a informação seja verdadeira.
Onda de ataques
Forças dos Estados Unidos bombardearam o Irã na noite desta sexta-feira, 17, pela sétima vez seguida, segundo o Comando Central das Forças Armadas americanas (CENTCOM).
Os alvos incluíram pontes no sul do país, sinal de que a ofensiva passou a atingir também infraestrutura logística e civil, não apenas instalações militares.
De acordo com o CENTCOM, a missão teve como propósito “continuar degradando as capacidades militares iranianas”.
no porto de Bandar Khamir, sete pessoas morreram e a estação ferroviária foi atingida; mais a leste, um aeroporto na cidade de Iranshahr, na fronteira com o Paquistão, também foi alvejado.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, informou que três moradores morreram ao atravessar a ponte de Bandar Khamir, e afirmou que o sangue das vítimas não ficará sem resposta.
Imagens checadas pela agência Reuters mostraram destroços, grades destruídas, um veículo danificado e fogo sobre a estrutura.
Em retaliação, o Irã atacou nações do Golfo que abrigam bases militares americanas: Barein, Catar e Kuwait. As autoridades kuwaitianas confirmaram que uma usina de geração elétrica e dessalinização foi atingida, provocando incêndio, danos estruturais e a paralisação de diversas unidades geradoras.
Segundo o Ministério de Eletricidade, Água e Energia Renovável do Kuwait, bombeiros já controlaram as chamas e equipes técnicas avaliam os prejuízos para restabelecer o fornecimento.
Bloqueio no Estreito de Ormuz se mantém
A trégua provisória entre os dois países rompeu-se em 7 de julho, quando o Irã atingiu embarcações no Estreito de Ormuz e os EUA revidaram com bombardeios aéreos. Desde então, Teerã declarou o fechamento da via marítima e Washington reinstaurou seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Na quinta-feira, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque próximo ao estreito para fazer cumprir o bloqueio, com militares descendo de helicóptero até o convés.
A agência semioficial iraniana Tasnim relatou que a Guarda Revolucionária atacou um navio de bandeira tailandesa que tentava cruzar a área. No Golfo de Áden, homens armados tomaram um pequeno navio-tanque químico perto da costa do Iêmen.
Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo iraniano, declarou na televisão estatal que, “se os ataques americanos continuarem por mais alguns dias, passaremos a uma fase de operações ofensivas em grande escala”.
O presidente Donald Trump já ameaçou ataques massivos contra a infraestrutura iraniana e não descartou uma ofensiva terrestre.
O Irã sinalizou ainda que pode orientar aliados houthis, no Iêmen, a fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, rota alternativa para o petróleo do Golfo Pérsico.
Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, há preocupação com “ataques contra infraestrutura civil no Irã e em toda a região”.
O petróleo Brent subiu 3% após os novos ataques, enquanto as bolsas globais recuaram.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)