Ilha no Havaí declara guerra aos Airbnbs
O objetivo é liberar essas unidades, hoje usadas principalmente por visitantes, para ampliar a oferta de moradia para residentes
Nessa segunda (15), foi aprovada em Maui uma lei que determina o fim gradual de milhares de aluguéis de curto prazo em áreas turísticas estratégicas da ilha.
O objetivo é liberar essas unidades, hoje usadas principalmente por visitantes, para ampliar a oferta de moradia para residentes, especialmente após a crise habitacional agravada pelos incêndios de 2023.
O que muda com o fim de milhares de aluguéis de curto prazo em Maui
A nova legislação determina a eliminação gradual de milhares de aluguéis de curto prazo em áreas de grande procura turística, especialmente em West Maui e South Maui, até o início da próxima década.
A intenção é liberar unidades hoje ocupadas por turistas para que sejam convertidas em moradias permanentes e reduzam a pressão sobre o estoque habitacional.
Segundo autoridades locais, os aluguéis de temporada representam parte relevante das casas e apartamentos do condado, encarecendo preços e diminuindo opções para quem vive e trabalha na ilha.
Com a mudança, espera-se que uma parcela desses imóveis volte ao mercado de longo prazo, ainda que a decisão final dependa do interesse e da estratégia financeira de cada proprietário.

A lei dos aluguéis de curto prazo em Maui pode aumentar a oferta de moradia
A medida foi apresentada como resposta direta à crise habitacional agravada pelos incêndios de 2023, quando muitos moradores passaram a disputar imóveis com turistas em um mercado já caro.
O governo afirma que, ao limitar o número de unidades de uso turístico, devolve parte desse estoque para famílias locais e trabalhadores essenciais.
Especialistas e lideranças comunitárias apontam potenciais efeitos positivos, mas reconhecem incertezas sobre a quantidade real de unidades que serão convertidas para uso permanente.
Fatores como valor de mercado, custos de condomínio e retorno esperado do investimento podem influenciar a decisão de manter imóveis vazios, vender ou alugar a longo prazo.
Pray for Maui! 🙏🏽🙏🏽🙏🏽
— Ms Fʀᴀɴᴋɪ Bᴇᴠ (@FrankiBev916) August 9, 2023
Anyone stranded on Maui? Southwest Airlines has dropped their tickets to $19 to help you get out of there. #Maui #MauiFires #PrayForLahaina 😭 pic.twitter.com/ZgYk1awKih
Quais são os principais argumentos contra o fim dos aluguéis de curto prazo
Setores ligados ao turismo, ao mercado imobiliário e proprietários temem perda de renda e queda na arrecadação de impostos sobre hospedagem e propriedade.
Eles defendem que mudanças nas regras afetam investimentos feitos legalmente e podem reduzir a oferta de hospedagem alternativa aos hotéis, impactando empregos ligados ao turismo.
Os críticos também destacam que a simples retirada de licenças de curto prazo não garante, por si só, que os imóveis se tornem acessíveis para moradores de Maui.
Em áreas muito valorizadas, é possível que as unidades continuem fora do alcance financeiro da maioria das famílias locais, limitando o efeito da lei sobre a habitação popular.
Como a comunidade de Maui tem reagido às novas regras de aluguel
Organizações comunitárias e grupos formados após os incêndios de Lahaina veem a nova lei como oportunidade para recuperar bairros que se tornaram altamente turísticos e pouco acessíveis a residentes.
Esses movimentos defendem que a ilha precisa equilibrar a vocação turística com o direito à moradia digna para quem ali nasceu ou trabalha há anos.
Nesse contexto, vários coletivos ressaltam objetivos que consideram essenciais para a reconstrução social de Maui e para um uso mais equilibrado do território:
- Reforçar comunidades locais e reduzir a rotatividade de visitantes em bairros residenciais;
- Diminuir a especulação imobiliária em regiões de maior apelo turístico;
- Adequar o uso da água e da infraestrutura à realidade de quem vive na ilha o ano inteiro;
- Reduzir a vulnerabilidade social de famílias que ainda buscam moradia estável após os incêndios.
Scenic view to Alau Island from the Hana Beach in Hana Maui Island, Hawaii 🇺🇸 pic.twitter.com/YDOq5tMnTb
— Tina Koskima 🕊️ (@LoveSongs4Peace) May 27, 2025
O que esperar do futuro dos aluguéis de curto prazo em Maui
Nos próximos anos, o tema deve permanecer em pauta, especialmente à medida que os prazos de desativação se aproximarem e eventuais ações judiciais avancem.
O comportamento dos proprietários, a reação do mercado imobiliário e programas de incentivo à locação de longo prazo serão decisivos para medir o impacto real da lei.
Enquanto o cenário se ajusta, o setor de turismo pode buscar novos formatos de hospedagem dentro das regras, e moradores acompanharão de perto os efeitos sobre oferta de casas, valor dos aluguéis e dinâmica dos bairros.
O grande desafio continuará sendo equilibrar a relevância econômica do turismo com a garantia de habitação acessível para a população de Maui.
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