Hong Kong intensifica cerco a livrarias
Livreiros detidos são suspeitos de vender publicações classificadas como sediciosas pela Lei de Segurança Nacional
Cinco pessoas foram detidas nesta quarta-feira em Hong Kong após a polícia realizar buscas em duas livrarias independentes do distrito de Mong Kok, sob acusação de comercializar material considerado sedicioso.
Dois homens e três mulheres foram levados sob suspeita de infringir a Lei de Segurança Nacional de 2024, segundo comunicado das autoridades locais.
As buscas atingiram os endereços que abrigam as livrarias Have A Nice Stay, criada por antigos jornalistas, e Greenfield Book Store. Imagens divulgadas por veículos de comunicação mostraram agentes retirando caixas dos imóveis durante a operação.
Investigação aponta origem no exterior
De acordo com a polícia, apurações indicaram que o grupo detido exibia e comercializava, nos próprios estabelecimentos, conteúdos com incitamento contra o governo, o sistema judicial e as forças de segurança da região administrativa.
O caso teria chegado ao conhecimento da polícia depois que a alfândega identificou exemplares tidos como sediciosos em uma remessa de mercadorias vinda de fora do território, sem que os títulos fossem divulgados.
Trata-se da terceira sequência de prisões voltadas a livrarias independentes em 2026, após operações equivalentes registradas em março e junho.
Em março, funcionários e o proprietário da livraria Book Punch haviam sido detidos, com apreensão, entre outros itens, de uma biografia do empresário de mídia Jimmy Lai, condenado a 20 anos de prisão em processo relacionado à segurança nacional.
Em junho, outros dois livreiros foram presos sob suspeita de vender publicações sediciosas e de receber recursos de organizações políticas estrangeiras.
Livraria já havia anunciado fechamento
A Have A Nice Stay havia comunicado, antes da operação policial, que encerraria as atividades em 30 de agosto. Segundo nota, dificuldades financeiras e a incerteza sobre onde estaria a “linha vermelha” imposta pelas autoridades figuraram entre os motivos do fechamento.
As duas livrarias permaneceram fechadas durante o expediente habitual na quarta-feira. No mesmo dia, teve início a Feira do Livro de Hong Kong, em sua 36ª edição, sob o tema “Patrimônio Cultural, Jornadas de Alegria”, reunindo 700 expositores de cerca de 30 territórios.
O evento, no entanto, não contou com a presença de duas livrarias independentes de destaque, excluídas da programação.
Hong Kong manteve por décadas reputação de ampla liberdade editorial, condição que atraiu inclusive leitores da China continental interessados em títulos considerados sensíveis por Pequim. As sucessivas operações contra o setor, no entanto, têm reduzido o número de espaços dedicados a publicações independentes na região.
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