Hong Kong avalia banir documentário sobre ativista Joshua Wong
Departamento de Segurança ameaça medidas legais contra produção da Netflix vista como favorável ao líder estudantil, preso há 6 anos
O governo de Hong Kong, território autônomo no sudeste da China, estuda adotar medidas legais para impedir a exibição do documentário “Joshua: Teenager vs. Superpower”, dedicado à trajetória do ativista Joshua Wong, hoje com 29 anos e preso há seis, após o filme se tornar o mais assistido na versão local da Netflix.
A produção, dirigida pelo norte-americano Joe Piscatella e premiada no Festival de Sundance, segue disponível na plataforma e reúne centenas de milhares de visualizações em seu trailer no YouTube.
Pressão após crítica de jornal pró-Pequim
Segundo o portal Hong Kong Free Press, o Departamento de Segurança do território afirmou que qualquer obra exibida na região precisa respeitar integralmente a legislação local, com atenção às normas de proteção do Estado.
O órgão declarou que a polícia agirá diante de eventuais violações e pediu à população que evite condutas que ameacem a soberania nacional.
A controvérsia teve início depois que o jornal Wen Wei Po, alinhado ao governo de Pequim, publicou texto acusando o documentário de deturpar fatos para engrandecer a imagem de Wong.
O ativista se declarou culpado, em 2 de setembro, de conspiração para colaboração com forças estrangeiras, delito enquadrado na lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020 e que pode resultar em prisão perpétua.
Trajetória do ativista
O documentário reconstitui o percurso político de Wong, que ganhou notoriedade aos 15 anos à frente do grupo Scholarism, responsável por pressionar a retirada de um currículo de educação patriótica em 2012. Dois anos depois, tornou-se um dos rostos da chamada Revolução dos Guarda-Chuvas, protestos que reivindicavam eleições diretas e universais.
Em 2016, fundou o partido Demosisto, voltado à defesa da autodeterminação de Hong Kong, mas foi impedido repetidamente de disputar cargos legislativos. Sua atuação incluiu depoimentos ao Congresso dos Estados Unidos e encontros com autoridades europeias, o que rendeu indicações ao Prêmio Nobel da Paz.
Após os protestos antigoverno de 2019, Wong foi acusado de organizar de maneira irregular eleições primárias da oposição.
O caso do documentário ocorre pouco depois de as autoridades locais terem proibido, em 2024, o hino “Glória a Hong Kong” e retirado do Disney+ episódios de “Os Simpsons” com referências à repressão em Tiananmen, em 1989.
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