Homem construiu a própria ilha flutuante com 150 mil garrafas PET recicladas, criou solo fértil, plantou mangues e viveu isolado no litoral
Ilha flutuante de 150 mil PET com mangues e solo fértil
O músico e ambientalista britânico Richart “Rishi” Sowa construiu por conta própria uma plataforma habitável no litoral do México usando entre 100 mil e 250 mil garrafas plásticas descartadas. A Joyxee Island, ancorada na Baía de Isla Mujeres, perto de Cancún, no México, chegou a ter casa de três andares, três praias, dois pequenos lagos, cachoeira movida a energia solar e até uma máquina de lavar acionada pelas ondas, tudo sobre uma base de garrafas PET, redes e paletes de madeira.
Como tudo começou: a Spiral Island e o furacão que a destruiu
A ideia de Richart Sowa de criar uma ilha sustentável nasceu ainda nos anos 1970. Em 1997, ele iniciou a primeira versão do projeto, chamada Spiral Island, em uma lagoa próxima a Puerto Aventuras, no estado de Quintana Roo. Com cerca de 250 mil garrafas PET recolhidas em praias e centros de reciclagem, a estrutura ficou pronta em 1998.
A ilha virou sua casa e chamou atenção de jornais e programas de televisão em vários países. Em 2005, o Furacão Emily atingiu a região e destruiu completamente a construção. Mesmo assim, Sowa não abandonou o plano. Ele recomeçou do zero e passou a erguer a Joyxee Island em um ponto considerado mais protegido: a Lagoa Makax, em Isla Mujeres, a poucos metros da costa.

Como a Joyxee Island foi construída do zero com garrafas PET?
A lógica por trás da ilha mistura simplicidade e criatividade. O ponto de partida eram as garrafas, mantidas vazias e bem fechadas para garantir a flutuação. O método de construção seguiu etapas claras, como mostram registros do Atlas Obscura e do próprio Richart Sowa em seu site:
O que havia na Joyxee Island e como ela funcionava sem rede elétrica?
A ilha foi pensada para funcionar de maneira autossuficiente. Richart Sowa combinou soluções simples para atender às necessidades básicas sem depender de infraestrutura externa. O canal Histórias Sensacionais, que registrou a estrutura, mostra como cada sistema foi incorporado ao dia a dia na ilha:
Os sistemas de energia e água que tornavam a ilha independente
Painéis solares garantiam a principal fonte de eletricidade. A cachoeira decorativa funcionava com uma bomba solar. A máquina de lavar aproveitava a força mecânica das ondas, sem precisar de motor elétrico. A água potável vinha da captação de chuva. Hortas forneciam legumes e ervas, enquanto uma estufa solar permitia cozinhar alimentos sem combustível convencional.
Como a Joyxee Island se compara a outros projetos de habitação sustentável?
A tabela abaixo reúne as duas ilhas criadas por Richart Sowa e mostra o que diferenciava cada uma:
| Ilha | Características principais | Situação |
|---|---|---|
| Spiral Island Puerto Aventuras, México — 1998 | Cerca de 250.000 garrafas PET; moradia de Sowa por 7 anos; registrada por TVs e jornais internacionais | Destruída em 2005 |
| Joyxee Island Isla Mujeres, México — 2008 | 100–250 mil garrafas; 25 m de diâmetro; 3 praias, casa de 3 andares, energia solar e das ondas, além de manguezais plantados | Removida ~2022 |
| Nova ilha no Brasil Projeto iniciado em 2022 | Depois da remoção da Joyxee Island por autoridades mexicanas, Sowa começou uma nova construção no Brasil com base no mesmo conceito | Em construção |
O que a história de Richart Sowa ainda ensina sobre economia circular?
A Joyxee Island foi mais do que uma curiosidade excêntrica. Ela funcionou como um experimento de longo prazo capaz de mostrar, em escala real, que resíduos plásticos podem ganhar função estrutural quando combinados com soluções simples de engenharia e princípios ecológicos. As garrafas não serviam apenas para flutuar: presas pelas raízes dos manguezais, passavam a integrar uma estrutura viva e mais estável.
Em 2022, autoridades de Isla Mujeres determinaram a remoção da ilha depois de danos provocados por tempestades. Richart Sowa deixou o México e passou a construir uma nova versão no Brasil, mantendo a mesma ideia central: transformar o que seria descartado em base para sustentar vida. Para quem acompanha o debate sobre economia circular, o caso mostra de forma concreta como a fronteira entre lixo e recurso pode ser muito mais flexível do que parece.
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