Homem compra ilha abandonada em 1962 por milhares de euros e a transforma em santuário após plantar 16000 mil árvores
O que esse homem fez com uma ilha deserta vai te surpreender
Em 1962, um jornalista britânico de 37 anos pisou pela primeira vez numa ilha minúscula e abandonada no arquipélago das Seychelles, no Oceano Índico, e sentiu algo que não saberia explicar. Não era beleza: a ilha estava tomada por ervas daninhas, infestada de ratos e desprovida de pássaros. Era outra coisa. Décadas depois, Brendon Grimshaw descreveria aquele momento numa frase simples: “Era o lugar que eu estava procurando.” O que ele fez nos 50 anos seguintes transformou aquela terra esquecida no menor parque nacional do mundo.
Como um jornalista acabou comprando uma ilha no Índico?
Grimshaw era editor de jornais no Quênia e na Tanzânia quando tirou férias nas Seychelles. O continente africano vivia transformação política acelerada e ele sabia que seu posto seria ocupado por alguém local em breve. Aos 37 anos, precisava decidir o que viria a seguir. Na penúltima manhã de sua estadia, um homem o abordou com uma proposta: havia uma ilha pequena à venda, por £8 mil. Grimshaw foi vê-la no mesmo dia.
A ilha Moyenne, também chamada de “Ilha do Meio”, media apenas 400 metros de comprimento por 300 de largura. Havia sido abandonada desde 1915, quando sua última moradora partiu levando 40 cães. O que restou foi mato fechado, cocos apodrecendo sem nunca tocar o chão e nenhum pássaro à vista. Grimshaw comprou a ilha na hora.
O que os dois homens decidiram construir?
Grimshaw não era fazendeiro nem biólogo. Era um homem de redação que entendia de narrativa, e a narrativa daquela ilha precisava de um novo capítulo. Pouco depois da compra, ele conheceu René Antoine Lafortune, trabalhador local que se tornaria seu único companheiro e cúmplice por quase quatro décadas. Juntos, abriram trilhas manualmente, identificaram espécies nativas e estudaram o solo e o microclima da ilha.
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Ao longo dos anos, os dois plantaram 16 mil árvores e arbustos, construíram 4,8 quilômetros de trilhas e instalaram captação de água da chuva para irrigação. Metade das 40 espécies de plantas nativas que hoje crescem na Moyenne só existe nas Seychelles.
Como os animais voltaram para a ilha?
Com as árvores crescendo e dando frutos, os pássaros começaram a aparecer. Grimshaw trouxe dez aves de uma ilha vizinha e elas foram embora no mesmo dia. Trouxe mais. Algumas voltaram. Devagar, outras se juntaram. Hoje, cerca de 2 mil pássaros habitam a Moyenne, incluindo espécies endêmicas das Seychelles. As tartarugas gigantes de Aldabra, nativas do arquipélago mas desaparecidas de boa parte dele, foram reintroduzidas por Grimshaw, que numerava os cascos para identificar cada animal e criava os filhotes no próprio quarto. A ilha hoje abriga cerca de 50 tartarugas, algumas com mais de um metro e 200 quilos.

O que aconteceu quando os milionários apareceram?
À medida que as Seychelles se tornavam um dos destinos mais cobiçados do mundo, os incorporadores imobiliários chegaram. As ofertas cresciam. Um príncipe saudita, segundo relatos, teria apresentado um cheque em branco. A maior oferta documentada chegou a US$ 50 milhões. Grimshaw recusou todas, sem hesitar. Sabia o que aconteceria se vendesse: hotéis, concreto, luz artificial nas praias e o silêncio substituído pelo barulho de geradores. A ilha não era um ativo. Era uma obra que ainda estava sendo construída.
Qual é o legado que ficou depois de sua morte?
Em 2007, Lafortune morreu. Grimshaw tinha 81 anos e sabia que a ilha precisava de uma proteção que fosse além de sua própria vida. Em 2009, firmou um acordo com o Ministério do Meio Ambiente das Seychelles e a Moyenne tornou-se oficialmente o menor parque nacional do mundo. Grimshaw morreu em 3 de julho de 2012, aos 86 anos, e foi enterrado ao lado do pai na ilha que escolheu como lar.
Hoje o local recebe visitantes em grupos de no máximo 50 pessoas por vez, sem hotel, sem resort e sem construção nova. As tartarugas têm prioridade de passagem nas trilhas. Em 1996, Grimshaw escreveu um livro sobre a experiência intitulado A Grain of Sand, “Um Grão de Areia”: um homem, uma ilha pequena o suficiente para caber numa maré, e a convicção de que isso era suficiente para mudar alguma coisa.
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