Hanson: “O objetivo nunca foi uma guerra comercial”
O historiador americano Victor Davis Hanson defende que as tarifas aplicadas nos últimos anos seguiram uma lógica estratégica de negociação, não de confronto
O historiador e analista político americano Victor Davis Hanson publicou artigo intitulado “The Method Behind the Madness of Trump’s So-Called Tariff Wars” no site The Daily Signal.
Hanson argumenta que as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos nos últimos dias não devem ser vistas como guerras comerciais impulsivas, mas como táticas pensadas dentro do que chama de “A arte da negociação”, numa referência ao livro de Donald Trump.
Segundo o autor, o recente movimento do mercado financeiro, com recuperação de até 2%, está relacionado à expectativa de novos acordos.
“Trump anunciou que JD Vance e sua esposa, de origem indiana, se reuniram com autoridades da Índia, e pode haver um acordo comercial”, lembrou. Além disso, menciona negociações com o Japão e a possibilidade de redução de tarifas com a China, numa estratégia que define como “ameaçar com invasão para não precisar invadir”.
Hanson afirma que essas abordagens visam facilitar concessões, mas sem intenções reais de executá-las: “Queremos absorver a Groenlândia? Não. Queremos que a Dinamarca, potência colonial, ajude sua colônia. E estão começando a fazer isso.”
Ele sugere que essa retórica serve para movimentar negociações e garantir vantagem aos Estados Unidos.
Sobre a China, destaca: “Trump falou sobre grandes tarifas, agora vai diminuir, e provavelmente haverá um acordo, ao estilo ‘A arte da negociação’.”
O historiador lembra que a mesma tática funcionou com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan): “Ele os criticou duramente em 2018. Eles ficaram furiosos, mas começaram a gastar mais em defesa. Quando a guerra da Ucrânia começou, a Europa havia investido mais um bilhão de dólares.”
Para Hanson, a hostilidade europeia decorre de uma afinidade ideológica: “Os europeus detestam Trump mais do que consideram seu próprio interesse. Preferem ver o mercado cair do que fazer acordos com ele.” E alerta que essa resistência pode deixar a Europa para trás: “Se Índia, Coreia do Sul, Japão, Taiwan e Austrália fecharem acordos, os primeiros terão as condições mais favoráveis.”
O historiador diz que, mesmo sem alcançar a paridade total, “reduzir o déficit comercial trilionário pela metade já será uma conquista considerável”. E conclui que os europeus podem perder o bonde se um acordo com a China for fechado nos próximos meses.
Ao final, Hanson propõe uma distinção importante: “A guerra comercial nunca foi uma guerra. Foi uma tentativa de encerrar um ciclo de 50 anos de déficits comerciais americanos crônicos.”
O historiador também deixou um alerta: “Se Trump começar a falar dos tempos pré-1913, quando tarifas eram fonte principal de arrecadação, isso não vai funcionar. Ninguém quer negociar achando que está sendo espoliado.”
Quem é Victor Davis Hanson
Victor Davis Hanson é historiador americano, professor da Universidade Stanford e colaborador sênior do centro de estudos Hoover Institution.
Especialista em história militar e política externa dos Estados Unidos, é autor de obras como The Case for Trump e The Dying Citizen. Seu trabalho já foi reconhecido com prêmios como a Medalha Nacional de Humanidades, concedida pela Casa Branca.
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