Hanson: “A guerra tarifária é justa”

17.04.2026

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Hanson: “A guerra tarifária é justa”

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 07.04.2025 06:33 comentários
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Hanson: “A guerra tarifária é justa”

Segundo Hanson, os Estados Unidos não registram superávit comercial desde 1975

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 07.04.2025 06:33 comentários 2
Hanson: “A guerra tarifária é justa”
Foto: Reprodução

O historiador e analista americano Victor Davis Hanson publicou neste sábado, 6, no The Free Press, o artigo intitulado “Donald Trump’s Just Tariff War”.

O texto faz uma defesa das novas tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, propondo que elas não são apenas justificáveis, mas inevitáveis diante de décadas de acordos desiguais.

Segundo Hanson, os Estados Unidos não registram superávit comercial desde 1975. “Os EUA estão se aproximando de um déficit comercial anual de 1 trilhão de dólares com uma política comercial engessada, que permanece inalterada desde uma era passada”.

Ele afirma que a lógica do livre comércio pós-guerra, embora benéfica para a reconstrução global, transformou-se em desvantagem estrutural para os americanos.

O autor relembra que, após a Segunda Guerra Mundial, o país optou por abrir seus mercados como forma de evitar o colapso econômico mundial e conter o comunismo.

“Mesmo quando os déficits se tornaram crônicos, os presidentes os justificavam ou ignoravam por razões estratégicas e humanitárias”. Para o historiador, essa visão perdeu sentido após a queda da União Soviética, mas persistiu por inércia ideológica.

Hanson sustenta que a globalização enfraqueceu a indústria americana, devastou comunidades operárias e incentivou uma dependência perigosa de bens essenciais importados.

“Aqueles encarregados da política comercial dos EUA raramente se preocuparam em calibrar os verdadeiros custos sociais, culturais e morais de milhões de empregos perdidos”, alerta.

A crítica recai especialmente sobre os países que mantêm tarifas elevadas contra os EUA.

Ele aponta que aliados históricos como México, Canadá e Japão mantêm grandes superávits com os EUA enquanto investem pouco em defesa.

O autor argumenta que a tarifa geral de 10% busca corrigir essa assimetria e fortalecer o país.

“Na visão de Trump, os países que consistentemente ‘exploram’ os EUA fazem isso porque não o ‘respeitam’”. Essa percepção, segundo Hanson, tem implicações geopolíticas. “Um país que não protege sua fronteira, não exige comércio justo e aceita um déficit de 1 trilhão é considerado fraco e fácil de ser explorado”.

Além do argumento moral, há a lógica econômica. Hanson explica que a nova política comercial visa equilibrar o orçamento federal, atrair investimentos e fomentar a reindustrialização. “Trump acredita que a ameaça de tarifas forçará trilhões de dólares em investimentos estrangeiros a retornarem aos EUA, gerando empregos com salários mais altos”.

Outro ponto relevante é a relação entre comércio e defesa. Hanson diz que países como o Canadá deveriam aumentar seus gastos militares antes de reclamar de tarifas. “O Canadá simplesmente se recusa a cumprir sua obrigação com a Otan de investir 2% do PIB em defesa”.

As tarifas, afirma, também têm um impacto social. “Enquanto a produtividade dos trabalhadores aumentou 80% desde 1980, seus salários cresceram apenas 30%. Em poder de compra, o dólar atual vale apenas 26% do que valia em 1980”.

Para Hanson, a elite financeira ignora os efeitos desindustrializantes da globalização sobre a classe média trabalhadora.

Ele critica a reação negativa do mercado financeiro ao novo pacote tarifário. “Wall Street detonou as tarifas como reminiscência das medidas de 1930 que teriam causado a Grande Depressão. Mas o verdadeiro catalisador daquele colapso foi o crash especulativo de 1929”.

Hanson sustenta que o pânico atual repete erros passados de julgamento apressado e parcial.

Por fim, o autor pergunta por que outros países evitam déficits comerciais. “Será que apenas os EUA enxergam as supostas vantagens dos déficits massivos e cumulativos, enquanto Europa e Ásia preferem, ‘tolamente’, superávits e tarifas protetivas?” A questão central, para ele, é a reciprocidade.

“Poderíamos comunicar melhor nossa agenda”, admite Hanson, defendendo um tom mais trágico e menos belicoso para explicar a necessidade das tarifas. “A ênfase na reciprocidade é a chave para conquistar apoio”.

Para ele, o objetivo não é uma guerra comercial, mas o fim de uma injustiça de 50 anos. “A previsão mais otimista é que essa estratégia de confronto force o mundo a aceitar que o mercado americano não está mais disposto a aceitar o status quo”.

Quem é Victor Davis Hanson

Victor Davis Hanson é historiador militar americano, professor da Universidade Estadual da Califórnia e pesquisador sênior da Universidade Stanford.

Autor de livros como Carnage and Culture e The Dying Citizen, escreve regularmente sobre política externa, civilização ocidental e economia. Foi condecorado com a National Humanities Medal e é colaborador frequente da National Review, The New Criterion e do The Free Press.

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Alexandre Borges

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Comentários (2)

Rosa

07.04.2025 11:26

Já sabemos o pensamento de Alexandre Borges.....ugh


Antonio Carlos

07.04.2025 08:32

Trumpista ruim. China é Rússia apoiam Trump por sabotar economia dele,do mundo e atacar aliados históricos dos EUA e apoiar ditaduras


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