Hackers divulgam 5 TB de dados após Berlim recusar resgate
Grupo criminoso publica na deepweb 1,4 milhão de arquivos sigilosos após autoridades alemãs negarem pagamento de 2 milhões de euros
Cerca de 1,4 milhão de documentos do governo estadual de Berlim foram disponibilizados publicamente na deepweb nesta sexta-feira, 4, após a administração da capital alemã recusar-se a pagar 2 milhões de euros exigidos por um grupo de hackers.
O material, que soma mais de 5 terabytes, inclui dados classificados como sensíveis para a segurança nacional da Alemanha, segundo o jornal Der Tagesspiegel.
Conteúdo inclui infraestrutura crítica
Entre os arquivos vazados estão listagens de pessoas, imóveis, empresas e instalações que exigem proteção especial em situações de ameaça ao país. Constam também referências a usinas responsáveis pelo abastecimento de hospitais, depósitos de combustível, sistemas de energia de emergência e subestações elétricas.
O pacote reúne ainda documentos confidenciais ligados a companhias do setor de defesa apontadas como vulneráveis, além de registros pessoais, processos de multas, contracheques, materiais sigilosos de comissões parlamentares e avaliações sobre riscos ao fornecimento de água potável na cidade.
De acordo com a administração berlinense, também podem ter sido expostos logins e senhas armazenados sem proteção em bancos de dados administrativos e de processadoras de pagamento, o que pode atingir funcionários públicos, moradores e empresas locais.
O grupo responsável, identificado como Rhysida, declarou em sua página na deepweb: “Todos os arquivos estão disponíveis para acesso público”. A mensagem seguia com a frase: “Caçadores de dados, divirtam-se!”.
Invasão ocorreu em agosto, antes de eleição
A invasão às redes das secretarias estaduais de Obras e Transporte de Berlim aconteceu entre os dias 7 e 12 de agosto, tornando-se pública em 14 de agosto, quando diversos órgãos da capital ficaram uma semana sem acesso à rede. Desde 28 de agosto, os criminosos ofereciam os dados em um leilão na darknet, com prazo regressivo para venda.
Os hackers pediram um resgate equivalente a 30 bitcoins, cerca de 2 milhões de euros. Por princípio, e também por vedação legal, o governo do estado-cidade manteve a recusa em efetuar o pagamento à extorsão.
O episódio ocorre poucas semanas antes da eleição para o governo de Berlim, marcada para 20 de setembro.
A porta-voz da administração local, Christine Richter, afirmou não haver indícios de envolvimento da Rússia, mas ponderou que essa possibilidade não pode ser descartada, no contexto de uma sequência recente de sabotagens, ataques cibernéticos e incursões de drones no país.
O caso é investigado por agentes do Departamento Estadual de Polícia Criminal (LKA) e do Departamento Federal de Segurança da Informação (BSI).
Segundo especialista em segurança de TI Christof Fischer, a legislação alemã impede que o poder público realize pagamentos a chantagistas, mas o cenário permanece delicado, já que a divulgação de dados roubados costuma gerar prejuízos relevantes às vítimas.
Já a pesquisadora Bianca Kastl, do Chaos Computer Club, defendeu que a recusa ao pagamento é o caminho correto para reduzir o financiamento desse tipo de crime.
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