Grupo sequestra estudantes e professores em escola católica na Nigéria
Associação cristã confirma que 227 pessoas são feitas reféns, e ataque gera ameaças de intervenção militar por parte dos Estados Unidos
Um grupo armado sequestrou 227 pessoas, entre estudantes e professores, de uma escola católica localizada no centro da Nigéria. O ataque ocorreu na Escola St. Mary’s, situada na área de Agwara, no estado do Níger. A ação foi registrada durante a madrugada desta sexta-feira, 21. A Associação de Cristãos da Nigéria (ACN) confirmou a ocorrência.
Este é o segundo sequestro em larga escala que o país africano registra em menos de uma semana. A violência contra a minoria cristã intensifica as tensões entre a Nigéria e os Estados Unidos.
Na segunda-feira, 17, um grupo de meninas cristãs de uma escola em Kebbi, na Nigéria, foi sequestrado por criminosos durante a madrugada. Segundo a ONG Portas Abertas, as estudantes da Government Girls Comprehensive Secondary School foram raptadas enquanto dormiam.
Sequestro como negócio
A invasão à Escola St. Mary’s aconteceu entre 1h e 3h da manhã. A instituição explicou em nota que os agressores raptaram 215 alunos e 12 professores, e mataram um segurança.
Segundo informações do porta-voz da ACN, Daniel Atori, todas as alunas levadas são meninas. O presidente regional da ACN, Bulus Dauwa Yohanna, visitou o local e a associação emitiu um comunicado.
O secretário do governo local, Abubakar Usman, confirmou o sequestro. A polícia do estado do Níger mobilizou unidades técnicas e soldados em uma busca pelos alunos e funcionários desaparecidos. As forças de segurança nigerianas estão em alerta máximo em virtude da pressão externa e dos recentes incidentes.
Onda de violência em guerra jihadista
Grupos armados e organizações jihadistas desestabilizam a segurança nas porções norte e central da Nigéria. O país está dividido entre uma região norte de maioria muçulmana e um sul predominantemente cristão.
A insurgência jihadista no noroeste nigeriano já perdura por 16 anos. O conflito resultou na morte de ao menos 40 mil pessoas e no deslocamento de mais de dois milhões de habitantes. Em 2014, um sequestro de magnitude similar ocorreu, quando o grupo terrorista islâmico Boko Haram raptou aproximadamente 300 estudantes.
Os recentes acontecimentos aumentam o atrito nas relações internacionais com os Estados Unidos. O presidente Donald Trump ameaçou orquestrar uma intervenção militar. Trump denuncia a violência como uma campanha de homicídios de cristãos por jihadistas. O governo nigeriano refuta a narrativa apresentada pela liderança norte-americana.