Grupo paramilitar ataca creche e hospital no Sudão, segundo OMS
Organização Mundial da Saúde confirma a morte de 63 crianças em bombardeios na região de Kordofan do Sul; TPI pode considerar crimes de guerra
Ataques direcionados a uma unidade hospitalar e a uma creche no Sudão resultaram na morte de pelo menos 114 pessoas na semana passada, conforme divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessas vítimas fatais, 63 eram crianças.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, responsabilizou formalmente o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR) pelos bombardeios executados no estado de Kordofan do Sul. Além do registro de óbitos, dezenas de pessoas sofreram ferimentos durante os eventos ocorridos.
O atentado aconteceu no dia 4 do mês e foi monitorado pelo sistema de vigilância da própria OMS, que acompanha ataques contra estruturas de saúde no país. O diretor da organização de mais detalhes sobre os números em declaração proferida nesta segunda-feira, 8.
O custo da guerra para a população civil
O conflito interno no Sudão persiste e já causou o falecimento de dezenas de milhares de cidadãos. A situação humanitária é considerada a mais grave do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU). Estima-se que a violência forçou o deslocamento interno ou externo de 12 milhões de indivíduos no país africano.
O cenário de conflito se agravou após a tomada da cidade de El Fasher pela Forças de Apoio Rápido (FAR). Essa localidade representava o último ponto estratégico sob controle do Exército no Sudão ocidental. Após essa conquista no final de outubro, o grupo intensificou as operações militares na área petrolífera de Kordofan.
Ofensiva gera alerta internacional sobre crimes de guerra
A escalada da violência gerou um alerta emitido pelo gabinete do procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI). O órgão comunicou que as violações e atrocidades registradas em Al-Fashir podem ser classificadas como crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Em uma nota oficial, o escritório do TPI expressou preocupação com as denúncias de violências cometidas após a entrada do grupo FAR na cidade.
O TPI afirmou estar “profundamente preocupado” com relatos de assassinatos em massa, estupros e outras transgressões. O foco internacional concentra-se agora em responsabilizar os autores desses graves crimes.
O cessar-fogo que não cessou
Conforme noticiado em O Antagonista, no dia 6 de outubro, a facção paramilitar havia aceitado uma proposta de cessar-fogo com fins humanitários no Sudão, articulada pelos Estados Unidos em conjunto com nações árabes. O conflito armado, que se estende por dois anos e meio, causou a devastação do país e resultou em milhares de mortes.
Mas o anúncio foi recebido com prudência, visto que todas as tentativas anteriores de trégua entre a RSF e o Exército sudanês desde abril de 2023 não obtiveram sucesso.
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