Grupo inicial de apenas 22 animais cresce para até 150 indivíduos vivendo livres e faz espécie ameaçada voltar a ocupar campos protegidos
Translocações, reprodução natural e manejo de longo prazo permitiram que dois núcleos livres avançassem dentro de uma área protegida.
Uma espécie ameaçada que havia desaparecido de áreas protegidas voltou a formar grupos livres após uma translocação iniciada com poucos animais. O crescimento ocorreu em campos restaurados, com reprodução natural e acompanhamento técnico durante mais de uma década.
Qual espécie ameaçada voltou a ocupar os campos protegidos?
A espécie é o veado-campeiro, também chamado de veado-das-pampas, um cervídeo sul-americano identificado cientificamente como Ozotoceros bezoarticus. O núcleo foi estabelecido na ilha San Alonso, dentro do Parque Iberá, na província argentina de Corrientes.
A população de San Alonso começou com 22 animais fundadores translocados da região do rio Aguapey. O veado-campeiro havia desaparecido do interior protegido de Iberá, embora ainda sobrevivesse em poucos núcleos isolados da Argentina.

Como começou a translocação dos 22 animais?
A primeira campanha ocorreu em julho de 2009 e transferiu seis veados para a área de reintrodução. Os animais passaram por avaliação veterinária, transporte planejado e um período inicial em recintos de adaptação antes de serem liberados nos campos.
Novas operações ampliaram o grupo fundador de San Alonso até 22 indivíduos. Em 2015, o trabalho também começou em Rincón del Socorro, onde outro núcleo foi formado; em 2017, essa segunda população reunia descendentes de 15 fundadores.
Por que a população conseguiu crescer vivendo livre?
San Alonso oferece cerca de 10 mil hectares de pastagens protegidas, com menor contato com gado, cães e atividades que degradam o habitat. O isolamento da ilha San Alonso também reduz alguns riscos sanitários e facilita o acompanhamento dos animais após a soltura.
O crescimento não dependeu apenas das transferências. Nascimentos registrados desde o primeiro ano, sobrevivência das crias e reprodução entre gerações permitiram que o grupo aumentasse naturalmente, enquanto equipes acompanharam deslocamentos, saúde, disponibilidade de habitat e ameaças locais.
Quatro fatores ajudam a explicar o resultado:
O que significa uma população ser autossustentável?
Uma população autossustentável mantém seu número por meio de nascimentos e sobrevivência, sem depender continuamente da chegada de novos animais. O termo não significa ausência de cuidado: censos, proteção do habitat e controle de ameaças continuam necessários.
O segundo núcleo, estabelecido em Rincón del Socorro, já era considerado autossustentável em 2022. A existência de duas populações reduz o risco de concentrar todos os animais em uma única área e amplia a ocupação da espécie dentro do complexo protegido.
Quais números mostram a escala da recuperação?
Em 2022, a estimativa para San Alonso indicava entre 120 e 150 indivíduos livres. Uma atualização publicada em 2023 passou a apontar cerca de 300 veados no conjunto de Iberá, somando os núcleos de San Alonso e Rincón del Socorro.
O projeto de recuperação do veado-campeiro informa que a população local alcançou densidade seis vezes superior à de outros núcleos argentinos. Ela também se tornou a terceira maior do país e a maior protegida integralmente em uma área de conservação.
Os dados organizam as principais etapas do avanço:
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Por que o retorno do veado-campeiro continua relevante?
O veado-campeiro faz parte da fauna típica dos campos sul-americanos e depende de áreas abertas bem conservadas. Sua presença indica que o ambiente voltou a oferecer alimento, espaço, reprodução e proteção suficientes para sustentar diferentes gerações em liberdade.
A recuperação em Iberá não elimina as ameaças enfrentadas em outros locais. Perda e fragmentação do habitat, caça, ataques de cães e doenças transmitidas pelo gado continuam pressionando núcleos isolados, mas o projeto mostra que proteção territorial e manejo prolongado podem reverter uma extinção local.
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