Grupo católico desobedece Vaticano e confirma ordenação de bispos
Fraternidade São Pio X anuncia que manterá cerimônia prevista para julho, ignorando pressão de Roma e arriscando nova ruptura com a Igreja
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X comunicou ao Vaticano na quarta-feira, 18, que não cancelará a ordenação de bispos programada para 1º de julho – ato que, segundo Roma, pode configurar cisma e encerrar décadas de diálogo entre as partes. A confirmação foi enviada pelo superior da comunidade, Davide Pagliarani, ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé.
A intenção de realizar as ordenações havia sido anunciada no dia 2 de fevereiro. Desde então, o Vaticano pressionou o grupo a recuar, alertando que a cerimônia sem aval papal traria “graves consequências” para a relação entre a Fraternidade e a Santa Sé.
A justificativa do grupo
Em carta a Fernández, Pagliarani argumentou que as ordenações são indispensáveis para a continuidade da comunidade: “As ordenações representam uma necessidade concreta a curto prazo para a sobrevivência da Tradição”, escreveu. O termo “Tradição” é usado pela Fraternidade para se referir ao rito litúrgico anterior ao Concílio Vaticano II e à doutrina que o acompanha.
O superior rejeitou também a proposta de retomada do diálogo condicionada ao adiamento da data. “Não posso aceitar este quadro de retomada do diálogo, nem o adiamento da data de 1º de julho”, afirmou. Pagliarani acrescentou que não vê possibilidade de “acordo no plano doutrinal quanto às orientações fundamentais adotadas desde o Concílio Vaticano II”, realizado entre 1962 e 1965.
O histórico da ruptura
A Fraternidade foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, em Écône, nos Alpes suíços. Cinco anos depois, perdeu o reconhecimento canônico da Igreja Católica. Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização de Roma, o que resultou em excomunhão imediata de todos os envolvidos.
A situação só começou a ser revertida em 2009, quando o papa Bento XVI levantou as excomunhões. Seu sucessor, Francisco, foi além: a partir de 2015, passou a reconhecer a validade das confissões e dos matrimônios celebrados por padres da Fraternidade – medidas que, agora, podem ser revistas caso a ordenação de julho se concretize sem aprovação vaticana.
O cardeal Fernández, que recebeu representantes da Fraternidade em 12 de fevereiro, já havia advertido que uma ordenação não autorizada “implicaria uma ruptura decisiva na comunidade eclesial”, inviabilizando qualquer continuidade nas negociações.
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