“Grave violação”, diz China sobre interceptação de navios pelos EUA
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês classificou como "arbitrárias" apreensões feitas pelo governo de Donald Trump
A China criticou os Estados Unidos pela interceptação de navios de outros países e falou em “grave violação” do direito internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês classificou como “arbitrárias” as apreensões e acrescentou, em coletiva de imprensa, que Pequim é contra as “sanções unilaterais e ilegais” americanas.
O porta-voz também disse que a Venezuela tem o direito se relacionar com outros países. Na semana passada, Pequim defendeu, mais uma vez, o regime de Nicolás Maduro e repudiou o que chamou de “assédio unilateral” do governo de Donald Trump (foto).
No último fim de semana, os Estados Unidos apreenderam um petroleiro próximo à costa da Venezuela, em uma segunda ação do tipo em menos de duas semanas. A operação ocorreu poucos dias após o presidente americano, Donald Trump, anunciar um bloqueio a todos os petroleiros sancionados que entram e saem do país.
Segundo autoridades americanas ouvidas pela Associated Press, o navio Centuries, de bandeira panamenha, foi abordado em águas internacionais na madrugada de sábado, 20. A operação contou com apoio de militares americanos e, segundo a agência, não houve resistência da tripulação.
O petroleiro transportava petróleo venezuelano com destino à Ásia e não consta na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Maduro
A ação integra uma campanha americana contra o regime de Nicolás Maduro, que inclui mobilização de cerca de 15 mil soldados, navios de guerra e aeronaves de combate na região.
A Casa Branca também mira o setor petrolífero venezuelano, principal fonte de receita do país, cujas exportações estão sob sanções de Washington.
Em 10 de dezembro, militares americanos haviam apreendido o petroleiro Skipper, presente na lista de sanções por transportar, no passado, petróleo do Irã.
O navio foi levado a um porto nos Estados Unidos, em ação que, segundo o governo americano, tem o objetivo de combater o financiamento de narcoterrorismo e atividades ilegais associadas ao regime de Maduro.
Apesar das sanções, navios que transportam petróleo do país e também petróleo bruto do Irã e da Rússia continuam operando. Empresas como a americana Chevron seguem transportando petróleo venezuelano em navios autorizados.
A China se mantém como maior comprador do óleo bruto venezuelano, com remessas previstas para mais de 600 mil barris diários em dezembro.
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