Governo Trump processa New York Times por discriminação racial em processo seletivo
Agência federal acusa jornal de preterir candidato branco em promoção com base em metas de diversidade
O governo dos Estados Unidos abriu uma ação federal de direitos civis contra o New York Times por suposta discriminação racial em um processo seletivo interno.
A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC) apresentou a queixa nesta terça-feira, 5, no Tribunal Distrital para o Distrito Sul de Nova York, alegando que o jornal adotou práticas ilegais ao preterir um editor branco na disputa por uma vaga de chefia em 2025, em favor de candidatos de outros perfis raciais e de gênero.
A acusação
Segundo a denúncia, o funcionário — não identificado — trabalha no veículo desde 2014 e concorreu ao cargo de editor adjunto de imóveis no ano passado. A EEOC sustenta que as “metas declaradas de representação baseadas em raça e sexo” do jornal “influenciaram a decisão de não avançar” a candidatura do empregado.
O processo aponta que quatro finalistas selecionados para a etapa de entrevista em painel eram “uma mulher branca, um homem negro, uma mulher asiática e uma mulher multirracial” — perfis alinhados, segundo a agência, às metas demográficas do Times.
A denúncia também cita relatórios de diversidade publicados pelo jornal, entre eles um documento de 2021 denominado “Chamado à Ação”, que estabelecia objetivos para ampliar a presença de funcionários negros e latinos.
Para a EEOC, o material evidencia que “decisões de emprego com base em raça e sexo” foram tomadas de forma deliberada, tendo como “consequência necessária” a redução da participação de homens brancos em cargos de liderança.
A resposta do jornal
“O New York Times rejeita categoricamente as alegações politicamente motivadas apresentadas pela E.E.O.C. da administração Trump”, afirmou a porta-voz Danielle Rhoades Ha. “Nossas práticas de emprego são baseadas em mérito e focadas em recrutar e promover os melhores talentos do mundo. Vamos nos defender vigorosamente”.
A representante do jornal também questionou o alcance da investigação: “A alegação se concentra em uma única decisão de pessoal entre mais de 100 cargos de adjunto na redação, mas o processo da E.E.O.C. faz afirmações amplas que ignoram os fatos para se encaixar em uma narrativa predeterminada”.
Segundo ela, “nem raça nem gênero desempenharam papel nessa decisão — contratamos a candidata mais qualificada, e ela é uma excelente editora”.
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