Governo argentino acusa manifestantes de terrorismo
Dezessete pessoas foram denunciadas por ataques durante ato contra mudanças nas leis trabalhistas; Senado aprovou projeto na mesma noite
O governo argentino apresentou nesta sexta-feira, 13, denúncias por terrorismo contra 17 pessoas envolvidas nos confrontos entre manifestantes e forças policiais durante protestos contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei. A medida foi anunciada pelo chefe de Gabinete, Manuel Adorni, em suas redes sociais.
O Ministério da Segurança divulgou a identidade dos acusados e determinou suas prisões. “Atacar o Congresso da Nação e agredir as forças de segurança é um crime grave contra a ordem constitucional”, publicou Adorni.
Confronto após ato pacífico
A CGT, maior central sindical argentina, convocou milhares de pessoas para manifestação pacífica em frente ao Congresso. O protesto rejeitava o projeto que amplia a jornada para 12 horas diárias, diminui indenizações, autoriza pagamentos em espécie e restringe o direito de greve.
Um grupo montou barricadas a poucos metros da contenção policial e arremessou projéteis e coquetéis molotov contra os agentes. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, esvaziando a praça. Mais de 20 pessoas foram detidas, a maioria liberada no dia seguinte.
Algumas prisões ocorreram a mais de dez quarteirões da Praça do Congresso, enquanto manifestantes deixavam o local.
Investigação com tecnologia de reconhecimento facial
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, classificou os episódios como ação organizada para desestabilizar a ordem institucional. “Pessoas com galões de gasolina e bombas molotov na mochila, parafusos para lançar com estilingue, mastros de bandeira transformados em lanças. Como se chama isso? Isso é violência extrema com a intenção de desestabilizar”, afirmou à rádio Mitre.
O governo utiliza os sistemas Luna e Jessie para identificar suspeitos. O primeiro compara rostos captados por câmeras com bases de dados policiais. O segundo analisa antecedentes e registros biométricos.
Os denunciados têm entre 20 e 60 anos. A maioria é da província de Buenos Aires, com alguns de Tucumán e Salta. Nem todos possuem antecedentes criminais, mas há casos com histórico extenso. A ministra mencionou possível vínculo de envolvidos com torcidas organizadas e grupos de esquerda ou anarquistas.
A Lei Antiterrorista argentina (26.734) prevê penas agravadas para crimes que visem semear terror ou pressionar autoridades. A classificação implica investigação federal, detenções sem libertação imediata e sanções mais severas que os crimes comuns de dano ou atentado à autoridade.
Alejandra defendeu a atuação policial e negou a presença de agentes infiltrados entre os manifestantes violentos. “Dizer que é um policial ou um ex-policial, não sei de onde tiram isso. É um disparate pensar que o governo geraria esse tipo de situação”, declarou.
Na noite de quarta-feira, sem manifestantes na área, o Senado aprovou a reforma trabalhista. A proposta segue para análise da Câmara dos Deputados nas próximas semanas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)